Moscou reforça segurança após protestos contra Putin e eleições

Em meio a manifestações e críticas internacionais sobre irregularidades na votação, premiê diz que perda de apoio era inevitável

iG São Paulo |

Milhares de policiais e tropas do Ministério do Interior foram chamados às ruas de Moscou, capital da Rússia, para reforçar a segurança após violentos protestos contra as eleições parlamentares de domingo e o primeiro-ministro do país, Vladimir Putin.

Nesta terça-feira, partidários do Rússia Unida, partido de Putin e do presidente Dmitri Medvedev, fizeram uma manifestação na Praça Vermelha de Moscou para demonstrar apoio ao governo.

Leia também: Opositores protestam contra Putin e apontam fraudes nas eleições

Reuters
Partidários do governo russo fazem manifestação em Moscou em resposta a protesto da oposição

De acordo com o Ministério do Interior, o reforço policial e militar busca “garantir a segurança dos cidadãos” após o megaprotesto de segunda-feira, no qual manifestantes acusaram as autoridades de fraudar a votação.

Pelo menos 300 foram detidos em Moscou e mais 120 em São Petersburgo, onde um protesto similar foi realizado. O líder opositor Ilia Yashin foi condenado a 15 dias de prisão por "desobedecer ordens policiais" durante a manifestação na capital.

Também nesta terça, Putin disse estar satisfeito com o desempenho do Rússia Unida, nas urnas. A legenda obteve cerca de 50% dos votos, uma queda significativa em relação aos 64% conquistados em 2007.

“Sim, houve perdas, mas elas eram inevitáveis”, afirmou Putin. “São perdas inevitáveis para qualquer força política, particularmente para uma que há anos carrega o peso de ser responsável pela situação do país.”

A declaração foi feita pouco depois de a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, voltar a criticar as eleições russas, dizendo que a população “merece uma investigação completa sobre fraudes e manipulações eleitorais”. Hillary já tinha citado preocupação com as irregularidades na votação no dia anterior.

Observadores europeus citaram numerosas irregularidades nas eleições. A Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disse que a votação foi tendenciosa em favor do partido governista com aparente manipulação, como a sabotagem das urnas.

O grupo Golos, cujos monitores não são afiliados a nenhum partido, disse que seu site sofreu um ciberataque durante a votação, dificultando o trabalho. A estação de rádio liberal Ekho Moskvy também afirmou que seu site foi atacado.

A eleição foi um teste de popularidade para Putin, que concorrerá novamente à Presidência do país em março. Partidos da oposição afirmaram que autoridades podem manipular a votação para garantir que o Rússia Unida ultrapasse a marca de 50% dos votos. Mikhail Kasyanov, um ex-premiê que hoje está na oposição, afirmou que Putin precisa do número para não parecer fraco.

Com Reuters, AP e BBC

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