Moscou reforça ligações com Abkhásia e Ossétia e causa descontentamento na Geórgia

O anúncio nesta quarta-feira da decisão do Kremlin de reforçar sua cooperação com as regiões separatistas georgianas da Abkhásia e da Ossétia do Sul suscitou preocupação no Ocidente e o descontentamento de Tbilisi, que acusou Moscou de tentar anexar seus territórios.

AFP |

O presidente russo Vladimir Putin ordenou a seu governo que "coopere com as autoridades de fato da Abkhásia e da Ossétia do Sul", principalmente no âmbito econômico, informou o Ministério russo das Relações Exteriores em um comunicado.

Isso deve permitir a "criação de um mecanismo de defesa dos direitos, das liberdades e dos interesses legais dos cidadãos russos que vivem na Abkhásia e na Ossétia do Sul", explicou o Ministério russo. Moscou concedeu um grande número de passaportes russos à população local nos últimos anos.

"É uma tentativa de legalizar a anexação de duas regiões georgianas", afirmou o chefe da diplomacia georgiana, David Bakradzé, em um comunicado.

"É uma violação de todas as leis internacionais. A Geórgia vai utilizar todos os meios diplomáticos, políticos e legítimos para pôr fim a este processo que desestabiliza a situação na região", acrescentou o ministro georgiano.

"Em razão do comunicado do Ministério russo das Relações Exteriores, o presidente Mikhail Saakachvili convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da Geórgia", declarou à AFP Maka Guigaouri, porta-voz da diplomacia georgiana.

A Abkhásia, assim como a Ossétia do Sul, duas regiões localizadas na fronteira com a Rússia, no Cáucaso, proclamaram unilateralmente sua independência no dia seguinte à queda da União Soviética, no início dos anos 90 e a defenderam em conflitos armados contra as forças georgianas.

A decisão de Moscou gerou preocupação na União Européia e na Otan.

O secretário-geral da Otan Jaap de Hoop Scheffer pediu que a Rússia reveja sua decisão. "Peço à Federação da Rússia que reveja estas medidas" que "minam a soberania da Geórgia", declarou.

O alto representante da UE para a política externa, Javier Solana, manifestou a inquietude do bloco.

"Estamos preocupados com estas decisões unilaterais. Sempre apoiamos a integridade territorial da Geórgia", declarou à AFP sua porta-voz, Cristina Gallach, indicando que Saakachvili havia entrado em contato com. Solana.

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