A Rússia pediu neste sábado aos europeus que sejam objetivos e enviem mais observadores para vigiar a Geórgia, a dois dias de uma cúpula da União Européia (UE) dedicada ao conflito e num momento em que Tbilisi exigiu sanções contra a elite política russa.

A Rússia "se posiciona a favor do envio de observadores suplementares da OSCE à zona de segurança, e à instauração de uma vigilância imparcial das ações do governo georgiano", declarou o presidente Dmitri Medvedev durante uma conversa telefônica com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Moscou "espera um diálogo construtivo com a UE e com as outras organizações internacionais", prosseguiu.

Observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) acusaram a Geórgia de ter tido um papel importante no agravamento da crise no Cáucaso, segundo a edição da próxima segunda-feira da revista alemã Der Spiegel, que citou "relatórios" enviados "de maneira informal" ao governo alemão.

Medvedev garantiu que a Rússia "está respeitando totalmente os seis pontos" do plano de paz negociado pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, e explicou os "motivos" do reconhecimento por Moscou da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, dois territórios separatistas da Geórgia.

Por sua vez, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, pediu à UE que analise de forma "realmente objetiva" a crise russo-georgiana e adote uma "posição razoável" sobre Moscou durante a cúpula de segunda-feira em Bruxelas.

Ele também lançou uma nova diatribe antiamericana. "As autoridades americanas estavam a par da ofensiva que se preparava, e muito provavelmente participaram dela", denunciou.

Tbilisi exortou a Europa a adotar sanções contra "a elite política" russa.

"Isolar a Rússia não faz sentido, mas esperamos da UE sanções que não tenham como alvo a população, mas a elite política" russa, declarou à AFP o ministro da Reintegração dos territórios separatistas georgianos, Temur Yakobashvili.

Após a ruptura, sexta-feira, das relações diplomáticas com Moscou, a diplomacia georgiana anunciou neste sábado a intenção de limitar drasticamente o número de vistos concedidos aos cidadãos russos.

A partir do dia 8 de setembro, eles só poderão ir à Geórgia para visitar suas famílias, por motivos "humanitários" ou para viagens de negócios. "Não haverá vistos de turismo", afirmou à AFP Khatuna Yossava, uma responsável georgiana.

A presidência francesa da UE convocou a reunião de segunda-feira para definir uma posição comum sobre a crise russo-georgiana e decidir a atitude a ser tomada em relação a Moscou.

O chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, avisou sexta-feira que a declaração dos europeus sobre a Geórgia "irá além" de um simples apoio ao plano de paz já assinado por Moscou e Tbilisi.

Entretanto, uma fonte próxima ao presidente Nicolas Sarkozy considerou que "a hora das sanções ainda não chegou".

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse que a Europa precisa desempenhar "um papel importante" na resolução da crise.

Seu colega tcheco, Karel Schwarzenberg, se declarou favorável ao boicote dos Jogos Olímpicos de inverno de 2014 em Sotchi, o balneário do sudoeste da Rússia.

A Casa Branca insistiu novamente na necessidade de preservar a integridade territorial da Geórgia, lamentando que a Rússia não esteja cumprindo com "todas as obrigações do acordo de paz".

Além de tropas na Abkházia e na Ossétia do Sul, a Rússia mantém várias posições em território georgiano, sobretudo nos arredores do porto de Poti (oeste), onde o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, apareceu na noite de sexta-feira, sob os aplausos da população.


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