A Rússia negou nesta terça-feira ter derrubado há dois dias um avião sem piloto da Geórgia que efetuava missão sobre a região separatista da Abkházia, às vésperas de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada à crise entre Moscou e Tblisi.

"O aparelho foi abatido pelas forças antiaéreas abkházias, 20 km a sudoeste de Gali", localidade do sul da Abkházia, afirmou a chancelaria russa em um comunicado.

Segundo o ministério russo da Defesa e as autoridades da Abkházia, "o avião georgiano penetrou na zona de segurança".

O presidente Vladimir Putin havia se limitado segunda-feira a expressar "perplexidade" com a presença de um avião espião georgiano no céu da Abkhásia.

Segundo a diplomacia russa, o vôo desse aparelho torna vulnerável o acordo de paz de 1994 que pôs fim a confrontos entre forças georgianas e separatistas abkházias e confirmou a informação de que de tratava de um modelo Hermes 450 fabricado pela empresa israelense Elbit Systems.

A Abkhásia, às margens do mar Negro, autoproclamou a independência no início da década de 1990. Embora não tenha sido reconhecida por nenhum país, nem sequer pela Rússia, Moscou a apóia.

Putin ordenou recentemente seu governo a "cooperar" com este território e com a Ossétia do Sul, outra região separatista da Geórgia, suscitando preocupação em Tblisi e no Ocidente.

Na véspera, a Geórgia acusou a Rússia de ter cometido uma agressão depois que o avião sem piloto georgiano foi derrubado.

A crise foi deflagrada na manhã de segunda-feira, após o anúncio do abate de um "drone" (avião sem piloto) sobre o território abkházio, uma zona pró-russa na Geórgia fora do controle de Tbilisi.

A Geórgia negou, num primeiro momento, que o aparelho pertencesse ao país, enquanto as "Forças Armadas da região da Abkházia" anunciavam a derrubada do "drone".

Posteriormente, o vice-ministro georgiano das Relações Exteriores, Grigol Vashadze, informou que "em 20 de abril de 2008 a Rússia cometeu uma agressão contra a Geórgia".

"Um caça russo MiG-29 decolou da base militar ilegalmente ocupada de Gudauta (na Abkházia) e derrubou um avião sem piloto do ministério georgiano do Interior", acrescentou Vashadze.

O presidente georgiano, o pró-ocidental Mikhail Saakashvili, denunciou "a agressão contra a soberania territorial da Geórgia".

"Mantive uma conversa por telefone com (o presidente russo) Vladimir Putin e lhe pedi categoricamente que anule este ato e cesse os ataques à Geórgia", disse na segunda-feira Saakashvili, em discurso em rede nacional de TV.

"A Geórgia não precisa de distúrbios e hostilidades, mas é preciso dizer ao mundo inteiro que não toleraremos jamais a violação de nossos territórios", afirmou Saakashvili, que garantiu ter provas sobre o abate de um "drone" georgiano por um MiG-29 russo.

Durante a conversa com Saakashvili por telefone, Putin se declarou perplexo com a notícia do vôo de um aparelho militar não-tripulado georgiano numa zona de conflito.

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