Moscou não prevê diálogo mais fácil com EUA após nomeações de Gates e Hillary

Moscou, 1 dez (EFE).- As decisões do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, de nomear Hillary Clinton como secretária de Estado e manter Robert Gates à frente da pasta de Defesa não tornarão mais fácil o diálogo entre Moscou e Washington, disse hoje um deputado russo.

EFE |

"As nomeações não trazem otimismo por representarem um rumo de continuidade, e não de reforma da política externa da Casa Branca", comentou Konstantin Kasachov, chefe do comitê de Relações Internacionais da Duma (câmara baixa do Parlamento da Rússia).

Segundo o deputado, Hillary Clinton e Gates defendem a idéia do predomínio dos Estados Unidos no mundo e buscam os interesses americanos sempre, não importa o meio.

"Nenhum deles será um interlocutor mais confortável para a parte russa e o diálogo bilateral seguirá sendo tão complicado como foi com a administração que está de saída", disse Kosachov à agência "Interfax".

Ele igualmente admitiu que a gestão dos secretariados de Estado e Defesa dependerá muito das linhas de Governo a serem adotadas por Obama após assumir a Presidência.

Mais otimista que Kasachov, o deputado e analista político próximo ao Kremlin Serguei Markov disse que a nomeação de Hillary é boa para a Rússia.

"Sua chegada pode marcar a renúncia dos EUA à sua política de provocação. Não quero dizer que tudo será fácil e divertido.

Trabalhar com ela será complicado, mas possível", ressaltou.

Para ele, Hillary Clinton também não está 100% de acordo com a posição russa, mas não compartilha a postura patológica do Governo atual.

"Acho que os EUA estarão representados por políticos responsáveis e prudentes, mas parcialmente anti-russos", resumiu.

As relações entre Moscou e Washington passam por um período de esfriamento devido aos planos dos EUA de instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu.

Outros assuntos de divergência são a ampliação da Otan e o firme apoio do Governo Bush à Geórgia e Ucrânia, os dois países mais reticentes à hegemonia da Rússia no espaço pós-soviético. EFE se/dp

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