Moscou expulsa jornalista do Guardian por 'falta de credencial'

O britânico Luke Harding escreveu polêmicos artigos sobre a suposta fortuna pessoal de Vladimir Putin, avaliada em US$ 40 bilhões

iG São Paulo |

A Chancelaria russa informou nesta terça-feira que o correspondente do jornal britânico The Guardian, Luke Harding, foi expulso da Rússia por não ter credenciamento de jornalista para trabalhar no país.

"Após solicitar e receber no fim de novembro um prolongamento de seu credenciamento, Harding viajou de Moscou a Londres sem receber o credenciamento assinado de correspondente estrangeiro", informou o Ministério de Exteriores russo em comunicado.

A nota detalha que o jornalista britânico não buscou o credenciamento nas dependências da Chancelaria russa, "apesar de saber da necessidade do documento". "Se Harding ainda tem interesse em trabalhar na Rússia durante o período de vigência de seu visto terá de regularizar seu credenciamento. (...) Se atender a regras únicas para os jornalistas estrangeiros, Harding não terá problemas para entrar na Federação Russa", acrescenta a nota.

A Rússia respondeu ao pedido de explicações apresentado pelo Ministério de Relações Exteriores britânico, incidente que explodiu uma semana antes de o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, visitar o Reino Unido.

Serviço secreto

A expulsão do jornalista teria sido decidida a pedido do serviço de segurança russo, afirmou uma fonte do serviço secreto segundo a agência RIA Novosti.

Harding voou de volta à capital russa no fim de semana, depois de passar dois meses em Londres onde cobria os vazamentos diplomáticos americanos promovidos pelo site Wikileaks. Credenciado em Moscou desde 2007, Harding teve cancelado o visto em um posto de controle de passaportes do aeroporto quando retornou no fim de semana passado a Moscou, após dois meses de ausência, e foi impedido de entrar na Rússia. "Para o senhor, a Rússia está fechada", foi a única explicação dada a Harding pelo oficial do Serviço Federal de Fronteira, segundo ele narrou ao jornal em que trabalha.

De acordo com o Guardian, o jornalista ficou preso em uma pequena cela, onde permaneceu por 45 minutos, após ser colocado em um primeiro avião com destino a Londres, e só quando estava dentro da aeronave seu passaporte foi devolvido.

Em seu Twitter, Harding escreveu: "Minha expulsão continua sendo um mistério. Parece que as pessoas do Kremlin temem minha presença mais do que eu a deles".

Harding, que cobriu conflitos no Iraque e no Afeganistão, escreveu polêmicos artigos sobre a suposta fortuna pessoal do primeiro-ministro, Vladimir Putin, avaliada em US$ 40 bilhões.

Para o editor-chefe do Guardian, Alan Rusbridger, a expulsão trata-se de "claramente uma ação problemática com sérias implicações para a liberdade de imprensa".

Moscou não expulsava um correspondente britânico desde 1989, na época ainda União Soviética, quando a medida foi aplicada ao então correspondente do jornal The Sunday Times, Angus Roxburgh, em represália à expulsão de 11 supostos espiões soviéticos de Londres.

*Com AFP e EFE

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