Moscou, 29 ago (EFE).- Moscou criticou hoje as pressões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e advertiu a Aliança sobre as possíveis conseqüências de sua política de confronto com a Rússia devido à crise na Geórgia.

"O deslizamento da Otan rumo ao confronto com a Rússia e as tentativas de nos pressionar são inadmissíveis e podem levar a conseqüências irreversíveis para o clima político, militar e para a estabilidade no continente", declarou a Chancelaria russa.

O porta-voz do Ministério de Exteriores, Andrei Nesterenko, afirmou que "a Otan não tem direito moral de querer assumir o papel de mediadora em assuntos de relações internacionais nem avaliar as ações de outros Estados", segundo a agência "Interfax".

Nesterenko insistiu em que o reconhecimento por Moscou da independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul foi uma resposta aos ataques das tropas da Geórgia e que se baseia nas normas da Carta da ONU e da Ata de Helsinque.

"A Rússia espera da Otan um enfoque mais equilibrado, que contribua com a reversão da situação e com a regulação da crise na Geórgia", disse o porta-voz, que lamentou a decisão do Conselho da Otan de condenar a Rússia por sua política na Geórgia.

A declaração do Conselho da Otan e as reprovações à Rússia "carecem de fundamento e representam uma tentativa de dar uma interpretação seletiva e politicamente motivada ao direito internacional no espírito de dois pesos e duas medidas", disse.

A Chancelaria russa expressou a esperança de que, na cúpula extraordinária da União Européia (UE) da próxima segunda-feira, "o bom senso se imponha às emoções" e os 27 países-membros não aprovem sanções à Rússia, como propõem alguns deles.

"É muito importante, porque o caminho do confronto para o qual alguns países empurram energicamente a UE é desvantajoso para ambas as partes", advertiu Nesterenko.

"Esperamos que as decisões sejam equilibradas e objetivas no que diz respeito às ações da Rússia e também ao futuro de nossas relações", enfatizou.

Também insistiu na necessidade de os líderes da Abkházia e da Ossétia do Sul terem o direito de discursar no Conselho de Segurança da ONU, e denunciou a "dura resistência" que os países ocidentais, principalmente os Estados Unidos, opuseram a esta iniciativa da Rússia.

O diplomata criticou a resolução na qual o Parlamento georgiano declarava a Abkházia e a Ossétia como "territórios ocupados" pela Rússia, e afirmou que o documento "menospreza os direitos e interesses legítimos dos povos" das duas regiões.

Além disso, lamentou a decisão da Geórgia de reduzir o número de funcionários de sua Embaixada em Moscou, e assegurou que a Rússia não quer a ruptura e deseja "manter contatos de trabalho por canais diplomáticos" com o Governo de Tbilisi. EFE se/fh/ma

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