O embaixador da Rússia na União Européia advertiu os países do bloco contra a presença forçada da missão de policiais e juristas da UE no norte do Kosovo, de maioria sérvia.

"Lanço uma advertência contra qualquer tentativa de instalação da missão UE Lex em todo o Kosovo", declarou o embaixador Vladimir Tchijov a jornalistas em Bruxelas.

"A única forma de proceder é dialogar com a comunidade sérvia do local", afirmou.

Tchijov voltou a dizer que a decisão, tomada pelos 27 países da UE, de enviar a missão de 1.900 policiais, juristas e fiscais sem o aval do Conselho de Segurança da ONU foi "um grande erro por parte da UE".

"Houve esforços para melhorá-la, mas isso não pode ser feito senão através dos canais apropriados", ponderou.

Tchijov lembrou que a ONU e seu secretário-geral, Ban Ki-moon, "recusaram todas as propostas de formalizar a tranferência" de responsabilidades da missão da ONU, a MINUK, que atua no Kosovo desde 1999, para a missão européia.

A princípio, a UE prevê a transferência formal das responsabilidades em meados de junho, quando a retirada das tropas estiver concluída, mas já faz algumas semanas que essa questão não é mais discutida.

A missão européia começou sua atividade em Kosovo pouco antes da declaração de independência da ex-província sérvia, em 17 de fevereiro, apesar da oposição de Belgrado e da Rússia.

A UE anunciou mais de uma vez que a missão irá se instalar também do norte, preconizando o diálogo com a população sérvia.

A UE é contra a divisão do Kosovo entre o norte, de maioria sérvia, e o resto do recém-criado país, de maioria albanesa, ao contrário do que desejam os sérvios kosovares, que têm o apoio de Belgrado.

A Sérvia confirmou na última quinta-feira que pretende organizar eleições legislativas e municipais no norte do Kosovo, seguindo a data do pleito nacional, no dia 11 de maio, desafiando as autoridades da ONU.

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