O número de mortos pelo terremoto que atingiu a China na segunda-feira aumentou para 32.477 e novos tremores registrados no sudoeste do país complicaram neste domingo a busca por sobreviventes e a entrega de ajuda aos cinco milhões de refugiados ameaçados por epidemias.

Pelo menos três pessoas morreram devido a um novo tremor, de magnitude 6, que foi sentido na cidade de Jiangyu, na devastada província de Sichuan, indicou à AFP um responsável local.

Desde o terremoto de segunda-feira, que foi de 7,9 na escala Richter, o sudoeste da China registrou mais de 20 novos tremores superiores em magnitude a 5.

O terremoto causou 32.477 mortos conformados em todas as regiões afetadas, segundo a agência oficial Nova China.

As autoridades chinesas temem que esse número possa subir ainda mais, superando 50.000.

Na manhã deste domingo, os socorristas conseguiram resgatar um sobrevivente que esteve 139 horas sobre os escombros.

No sábado, haviam conseguido salvar pelo menos 64 pessoas das ruínas.

Segundo a Nova China, os controles efetuados nas instalações nucleares do país desde segunda-feira mostraram que estavam "seguras".

As possibilidades de se encontrar novas sobreviventes diminuem na medida em que Sichuan está ameaçada por riscos de inundação e fortes chuvas que, segundo a imprensa local, poderia "agravar a catástrofe".

As chuvas que atingiu as regiões afetadas pelo terremoto causaram algumas enchentes que invadiram a cidade, afirmou a agência.

"A chuva entrou em algumas barracas de sobreviventes do tremor. Outras foram danificadas pelo vento", acrescentou.

Já que as cerca de cinco milhões de pessoas que perderam suas casas foram abrigadas de maneira rápida em instalações precárias, aumentam agora as advertências contra os riscos de doenças.

"Combater as epidemias é a tarefa mais urgente e a mais importante que nos espera", declarou no sábado Wei Chao´an, vice-ministro de Agricultura.

As autoridades chinesas se preocupam pela presença de centenas de corpos expostos que se decompõe mais rápido com a umidade e o calor.

A organização Mundial da Saúde (OMS) considera que os maiores riscos estão na água contaminada e na falta de higiene dos abrigos.

"Prevenir o surgimento de doenças contagiosas é agora um assunto de saúde pública crucial na República Popular da China", afirmou.

Durante uma reunião no sábado em Sichuan, o presidente chinês HU Jintao pediu "esforços permanentes" para tentar encontrar sobreviventes.

"Salvar vidas é sempre a prioridade principal de operações de resgate", acrescentou, citado pela Nova China.

Hu Jintao expressou ainda sua gratidão aos governos e aos cidadãos estrangeiros que ofereceram sua ajuda às vítimas do terremoto.

"Em nome do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, do Conselho de Estado e da Comissão Militar Central, expresso meus mais sinceros agradecimentos aos governos estrangeiros e aos amigos estrangeiros que contribuíram para nossas operações de resgate depois do terremoto", declarou o presidente Hu, citado pela agência.

Equipes do Japão, Rússia, Cingapura, Coréia do Sul, Taiwan e Hong Kong foram autorizadas a acompanhar os militares chineses. Outros países deram ajuda financeira e material.

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