Descobertas de plutônio e de água altamente radioativa em usina fazem governo admitir que situação é séria em Fukushima

O número de mortos pelo terremoto e o posterior tsunami de 11 de março no Japão subiu nesta terça-feira para 11.063, enquanto outros 17.258 continuam desaparecidos, segundo o último boletim da polícia japonesa.

Além disso, há mais de 200 mil desalojados em 1,9 mil abrigos montados após o desastre, o pior que atingiu o Japão desde a Segunda Guerra Mundial. Há pelo menos 18 mil casas destruídas e mais de 130 mil edifícios danificados, sobretudo nas áreas litorâneas do nordeste japonês, onde se esperam encontrar mais vítimas enquanto avançarem os trabalhos de remoção de escombros.

Segundo os números oficiais, em Miyagi houve 6.744 mortos, além de 3.264 em Iwate e 997 em Fukushima, enquanto os desaparecidos são milhares nas três províncias, as mais devastadas.

Funcionário examina aparelho usado para testar a radiação no ar em estação de monitoramento em Harbin, no nordeste da China
AP
Funcionário examina aparelho usado para testar a radiação no ar em estação de monitoramento em Harbin, no nordeste da China
O número de vítimas em Fukushima ainda deve aumentar, já que as tarefas de busca enfrentam muitas dificultadas pelo acidente nuclear na usina Fukushima Daiichi, ao redor da qual, por causa da radioatividade, há um perímetro de isolamento de 20 quilômetros.

Crise nuclear

As descobertas de plutônio no solo da usina nuclear de Fukushima e de alta radiação na água levaram o governo japonês a admitir nesta terça-feira que a situação no lugar é "muito séria" e continua fora de controle. Na segunda-feira foram detectadas pequenas quantidades de plutônio no solo da usina nuclear e, embora não representem um risco à saúde, comprovam que houve vazamento de um reator.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, caracterizou na segunda-feira como "imprevisível" a situação de Fukushima, nordeste do Japão, o que obriga uma atenção constante das autoridades. Desde sábado a situação na usina se agravou e os trabalhadores da empresa operadora, a Tepco, continuam as tentativas de refrigerar seus seis reatores, mas a cada dia enfrentam uma nova dificuldade.

O tsunami provocado pelo terremoto de 9 graus na escala Richter, com ondas de até 13 metros, prejudicou o sistema elétrico da central necessário para esfriar seus reatores, que abrigam perigosas barras de combustível nuclear.

Nesta terça-feira foram feitas tentativas de drenar a água radioativa que inunda a zona de turbinas perto dos reatores 1, 2 e 3. Esse último é o que mais preocupa por conter um combustível que mistura urânio e plutônio, altamente tóxico.

O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, muito crítico à atuação da Tepco, pediu nesta terça-feira que se vigie a saída de plutônio ao exterior da usina e disse que é provável que o material detectado provenha de barras de combustível que fundiram parcialmente.

O porta-voz ressaltou, no entanto, que as quantidades de plutônio detectadas são as mesmas que podem ser encontradas no meio ambiente enquanto, em Viena, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) assinalou que a composição de isótopo sugere que procede de um reator, embora tenha destacado que se trate de pequenas quantidades.

Para as autoridades japonesas, a prioridade agora em Fukushima é continuar lançando água sobre os reatores, além de drenar as zonas inundadas. Na segunda-feira, os operários da Tepco, além de detectar plutônio, confirmaram o risco de que água radioativa chegue ao exterior por um conduto que rodeia o reator 2.

No entanto, a Agência de Segurança Nuclear do Japão assegurou nesta terça-feira que não há confirmação de que essa água radioativa tenha chegado ao mar e afirmou que os níveis de água nos condutos que conectam os reatores 1, 2 e 3 se mantêm estáveis. Esses encanamentos se encontram entre 55 metros e 70 metros de distância do mar e foram escorados com sacos de areia e blocos de cimento pelos operários.

A cada dia, a Tepco e a Agência de Segurança Nuclear têm de atender a uma nova emergência na central, enquanto o porta-voz do governo japonês oferece várias coletivas para dar sua versão dos fatos. O Executivo japonês prometeu "transparência" na gestão da crise nuclear e pediu "sangue frio" aos países estrangeiros para que evitem um alarmismo excessivo.

Na quinta-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, irá a Tóquio. Ele será o primeiro governante estrangeiro a visitar o país desde o terremoto. Nos primeiros dias após a crise no Japão, a França qualificou a situação na usina de Fukushima como uma " catástrofe nuclear ".

*Com EFE

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