Mortos por cólera passam de 1,5 mil no Haiti

Agências humanitárias fazem apelo por mais médicos, enfermeiros e suprimentos básicos ao país

iG São Paulo |

Subiu para 1.523 o número de mortes causadas pela cólera no país, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira. Há dois dias, o governo registrava 1.415 vítimas.

Agências humanitárias que estão combatendo a epidemia fizeram um alerta para a falta de médicos treinados e de suprimentos básicos, desde sabão até sacos para guardar cadáveres. Não tem sido possível, segundo essas agências, abrir centros de tratamento com a rapidez suficiente para lidar com o aumento nos casos da doença.

AP
Mulher com sintomas de cólera é vista em hospital de Porto Príncipe, capital do Haiti (24/11)

Acredita-se que a epidemia só deva atingir seu pico no fim de dezembro. A chefe para assuntos humanitários da ONU, Valerie Amos, fez nesta quarta-feira um apelo para que ao menos mais cem médicos e mil enfermeiros sejam enviados ao Haiti.

Enquanto isso, o Banco Mundial prometeu US$ 10 milhões em ajuda emergencial para financiar atendimento médico aos haitianos, muitos dos quais vivendo em condições precárias desde o terremoto do início do ano.

Avanço rápido

Os agentes humanitários no país afirmam que o cólera está avançando mais rapidamente do que o previsto e que, quando chegar o Natal, eles estarão sobrecarregados no atendimento a centenas de milhares de pessoas doentes. Calcula-se que o número de infectados já tenha ultrapassado os 50 mil.

A doença causa diarreia e vômito, levando à desidratação aguda. Pode matar rapidamente, mas é facilmente tratada com antibióticos e hidratação. A Organização Pan-Americana de Saúde havia advertido na terça-feira que o cólera pode afetar até 400 mil haitianos ao longo de 2011, dada a natureza "explosiva" da epidemia.

Segundo o vice-diretor da organização, Jon Andrus, faltam no país "água potável e (condições) sanitárias, bem como soros que sejam acessíveis a todos. A longo prazo, precisamos criar sistemas e infraestrutura que assegurem o acesso igualitário a esses serviços básicos".

O avanço da doença provocou protestos e episódios de violência nas últimas semanas do Haiti, no momento em que o país se prepara para ir às urnas nas eleições presidenciais e legislativas, marcadas para este domingo.

Com AFP e BBC

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