Mortos no Quirguistão podem chegar a 2 mil, diz líder interina

Número oficial é de 191 vítimas, mas presidente diz que moradores enterram corpos sem informar autoridades

iG São Paulo |

© AP
Líder interina visita Osh nesta sexta-feira
A presidente interina do Quirguistão, Rosa Otunbayeva, afirmou nesta sexta-feira que pode chegar a dois mil o número de mortes causadas pelos confrontos étnicos no país.

O balanço oficial atual é de 191 mortos e a ONU estima que até um milhão de pessoas tenham sido afetadas pelos conflitos direta ou indiretamente.

"Eu multiplicaria por dez o número oficial", disse Otunbayeva ao jornal russo Kommersant.

Mais tarde, durante encontro em Osh com representantes da sociedade civil, ela abrandou o tom, afirmando que o balanço final seria "no mínimo várias vezes superior" às cifras comunicadas até agora. "Não é que ocultemos a verdade, é que não temos todos os números", afirmou. Segundo ela, os moradores enterram os corpos sem informar as autoridades.

Otunbayeva negou que o governo provisório, que chegou ao poder após a revolta de abril, seja incapaz de deter a violência e administrar a crise humanitária. "Deixem-nos um pouco de esperança! Parem de repetir que não fazemos nada", disparou.

O ministério russo da Defesa confirmou que as autoridades quirguizes pediram o envio de tropas e esclareceu que ainda não haviam tomado "uma decisão definitiva".

O vice-secretário de Estado americano a cargo da Ásia Central e do Sul, Robert Blake, exigiu uma "investigação independente" e ipediu que o Quirguistão "ponha um fim à violência que ocasiona uma multidão de refugiados" no Uzbequistão, país vizinho onde fazia visita.

Enquanto isso, a presidente interina quirguiz se reunia com os moradores de Osh, segunda maior cidade do país e epicentro da violência. Vestindo um colete à prova de balas, Otunbayeva aterrissou de helicóptero e dirigiu-se a um grupo de moradores reunidos na praça central. "Vim para falar com o povo e escutar o que dizem sobre o que aconteceu", afirmou.

Arte/iG
Mapa mostra localização do Quirguistão
Conflito étnico

O Quirguistão, uma ex-república soviética de maioria muçulmana que abriga bases militares dos Estados Unidos e Rússia, está envolvido no caos desde que um confronto em abril depôs o presidente deste país da Ásia Central dividido etnicamente, levando ao poder um governo interino.

Com uma superfície de quase 200 mil quilômetros quadrados, o país tem uma população de 5,3 milhões de habitantes, dos quais cerca de 14% são usbeques, que residem principalmente no sudoeste do país, região atingida pela onda de violência.

Os enfrentamentos de origem étnica entre usbeques e quirguizes se intensificaram em 10 de junho, na maior onda de violência vivida no país em 20 anos. A violência diminuiu nos últimos dias, mas se espera que um referendo constitucional programado para a próxima semana reacenda as tensões.

A Rússia e o Ocidente temem que a violência acabe provocando um vazio de poder, que milícias islâmicas e grupos de crime organizado poderiam aproveitar para atuar.

Com Reuters e EFE

    Leia tudo sobre: quirguistão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG