Mortos estão em lista da ONU contra terrorismo, diz embaixador

Por Anupreeta Das NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Dezenas de suspeitos de terrorismo permanecem numa lista para sanções da Organização das Nações Unidas apesar de provavelmente já terem morrido, e informações sobre outras pessoas são tão poucas que a inclusão delas na relação não tem nenhum efeito, disse nesta terça-feira um embaixador da ONU.

Reuters |

Essas falhas tornam mais difícil reprimir pessoas e empresas da lista ligadas à Al Qaeda e ao Taliban, mesmo quando novas ameaças surgem em países como a Somália, por exemplo, segundo o embaixador Thomas Mayr-Harting, que comanda o comitê de sanções contra a Al Qaeda e o Taliban, uma comissão do Conselho de Segurança da ONU.

Dos 513 itens da lista, acredita-se que 38 pessoas estão mortas, afirmou Mayr-Harting, que também é embaixador da Áustria na ONU, a jornalistas.

"Não é o propósito da lista conter pessoas mortas", disse ele.

A retirada dos nomes dos mortos da lista exige consenso entre todos os membros, o que torna o processo lento, segundo o embaixador.

Parentes dos mortos não têm acesso a bens congelados até os nomes serem cortados da relação.

Um terço das entradas da lista carecem de informações básicas, como nomes completos, datas de nascimento e outras particularidades. Sem esses detalhes, a polícia, guardas de fronteira e instituições financeiras não podem congelar fundos ou impedir viagens, declarou o embaixador.

"Você tem que ganhar credibilidade ou melhorando a lista ou retirando os nomes", afirmou.

Uma resolução adotada no ano passado tem ajudado o comitê a fazer a relação mais relevante. A comissão revisa a lista caso a caso e espera retirar os itens sem importância até meados do ano que vem.

O Conselho de Segurança criou o comitê, composto por 15 membros, em 1999, para impor sanções num Afeganistão controlado pelo Taliban, por causa do apoio dado ao líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.

Agora, a lista inclui nomes de pessoas e empresas com laços com o Taliban e a Al Qaeda.

A ameaça representada por eles aumentou de forma drástica desde então, mas a lista não reflete essa mudança de situação, na opinião de Mayr-Harting.

O grupo Al Shabab, da Somália, acusado pelos Estados Unidos de manter relação estreita com a Al Qaeda, não está na lista, segundo Richard Barrett, coordenador da equipe da ONU que monitora as sanções.

"Os elos entre os dois grupos, claramente, não são suficientes para o Conselho colocá-lo na lista", disse Barrett.

O grupo somali tem conquistado vitórias no esforço para derrubar o governo transitório, apoiado pelo Ocidente, do país.

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