Mortos em terremoto na Itália chegam a 281; terra ainda treme

LAquila/Roma, 9 abr (EFE).- O número de vítimas fatais devido ao terremoto que atingiu a região central da Itália na madrugada de segunda-feira chegou a 281 pessoas, com um corpo que ainda não foi identificado, informaram hoje fontes da Polícia italiana.

EFE |

Este número aumenta em dois o balanço de mortos feito hoje pelo primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, em entrevista coletiva em Roma, na qual falou que há 1,5 mil feridos devido ao terremoto.

O medo continua presente entre os moradores da região de Abruzzo, que sofreram com um novo tremor de terra de 3,6 graus na escala Richter registrado hoje às 15h19 locais (10h19 de Brasília).

O primeiro e mais devastador tremor, o da madrugada de segunda-feira, atingiu 5,8 graus na escala Richter.

Cada vez mais evacuados seguem rumo aos hotéis do litoral italiano que estão servindo de abrigo para os afetados pelo terremoto.

Cerca de 10 mil dos que estão fora de seus lares estão espalhados por 170 hotéis, enquanto que 19 mil permanecem nos acampamentos estabelecidos em L'Aquila, a capital da região de Abruzzo, e em 20 municípios vizinhos.

No quarto dia de tarefas de remoção de escombros, Berlusconi ofereceu seu balanço oficial pela primeira vez desde Roma, após o final do Conselho de Ministros.

Na reunião ministerial, o chefe do Executivo italiano confirmou que foi decidido suspender o pagamento das hipotecas e das despesas domésticas das vítimas da tragédia.

Segundo o primeiro-ministro, que informou que foram colocados 70 milhões de euros à disposição de Defesa Civil italiana, além dos 30 milhões que já haviam sido liberados, houve 65 tremores na área entre meia-noite e 7h16 de hoje, o que "torna difícil as intervenções, as operações de socorro e a construção das casas".

Depois de Berlusconi ter visitado a área afetada pelo terremoto por três dias seguidos, o presidente italiano, Giorgio Napolitano, foi hoje até o local.

Em entrevista coletiva concedida em L'Aquila, o chefe de Estado da Itália apreciou as medidas tomadas pelo Executivo italiano para fazer frente à tragédia e reconheceu que cabe ao Governo decidir se aceita ou não ajuda estrangeira.

Neste sentido, Berlusconi, que disse que restam poucos desaparecidos, mostrou-se disposto a receber ajuda de países estrangeiros para a reconstrução dos edifícios públicos derrubados pelos tremores de terra.

"Dissemos a todos (os governantes) que nosso país bastava por si mesmo sobre as ajudas, mas relançamos nossa ideia de fazer convergir sua ajuda na reconstrução de edifícios públicos, aos quais será dado o nome do país que se interessar na reconstrução", disse.

"Será feita uma lista de vários bens e cada um poderá intervir segundo sua vontade", acrescentou o premiê, acrescentando serão necessários bilhões de euros para a reconstrução das áreas afetadas.

"Insisto para que não sejam enviadas mercadorias, porque não temos necessidade, e insisto para que haja uma contribuição econômica", afirmou Berlusconi.

"Esta manhã, iniciamos a discussão sobre as medidas a adotar. Os ministros irão a Abruzzo não para passear, mas para missões operativas. Está sendo preparado um decreto que aprovaremos após a Semana Santa", acrescentou o premiê, em referência à norma extraordinária para estabelecer fundos de ajuda à região.

Berlusconi negou que os alimentos estejam acabando na área atingida pelo terremoto e que tenha havido especulação sobre os preços, em um dia no qual os principais supermercados de Abruzzo voltaram a abrir suas portas.

Em meio à inquietação quanto à possibilidade de saques, o ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, anunciou hoje que serão enviados 700 militares especificamente para combater este tipo de delito, além dos 90 que já o fazem.

Os moradores da região de Abruzzo também têm sido prejudicados pelos alarmes falsos de tremores de terra ocorridos nos últimos dias e que levaram a Defesa Civil italiana a desmentir que tivessem tido origem em suas equipes.

A Polícia italiana deteve 11 pessoas por terem supostamente divulgado alarmes falsos de terremotos na terça-feira.

EFE mcs-cps-fab/bba

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