Mortos em Mianmar chegam a 43 mil, segundo Junta Militar

O número total de vítimas do ciclone Nargis que atingiu Mianmar em 3 de maio chegou aos 43.318 mortos e 27.838 desaparecidos, anunciaram nesta quinta-feira os meios de comunicação estatais.

Redação com agências internacionais |

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  • O número anterior, divulgado 24 horas antes, era de 38.491 mortos. Os meios de comunicação oficiais acrescentaram que 1.403 pessoas ficaram feridas.

    A ONU advertiu que o número de mortos poderá superar os 100 mil, e que mais pessoas poderão morrer se os dois milhões de sobreviventes não receberam ajuda básica.

    AFP
    AFP
    Muitas casas foram destruídas e milhares de famílias estão sem lar

    2,5 milhões de necessitados

    A Organização das Nações Unidas (ONU) aumentou de 1,5 milhão para 2,5 milhões o número de pessoas que podem ter sido afetadas pela passagem do ciclone Nargis por Mianmar. 

    O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon afirmou que "lamenta" que a ONU tenha passado mais tempo conseguindo ajuda ao invés de entregar a ajuda e afirmou que vai enviar a Mianmar subsecretário-geral de ajuda humanitária das Nações Unidas e coordenador das operações para o país, John Holmes.

    Holmes, por sua vez, afirmou que muitas outras pessoas vão morrer se o governo militar não permitir que a ajuda chegue às regiões afetadas mais rapidamente.

    "O que precisamos é de uma resposta mais multilateral, devido ao tamanho da crise, para evitar uma segunda onda de mortes que tememos (que ocorra) com a contaminação por doenças em pessoas que já estão enfraquecidas devido às condições em que se encontram", disse.

    Os últimos números oficiais divulgados pelo governo de Mianmar afirmam que quase 38,5 mil pessoas morreram, outras 27,8 estão desaparecidas. Mas a Cruz Vermelha afirma que o número de mortos pode chegar aos 128 mil.

    Pressão

    Pressionado pela Grã-Bretanha para convocar uma reunião de emergência, Ban Ki-moon se reuniu para negociações com países doadores e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês) em Nova York nesta quarta-feira.

    "Mesmo com o governo mostrando alguma flexibilidade, ainda é pouco", disse o secretário-geral da ONU.



    Mianmar está localizada no sudeste asiático



    John Holmes afirmou que, apesar de mais de cem funcionários do setor de ajuda da ONU estarem em Mianmar no momento, eles não receberam permissão para chegar até a área mais afetada pelo ciclone, o delta de Irrawaddy.

    "Existe uma grande frustração, pois, conseguimos entrar no país e chegar a Yangun, mas, no momento, eles não conseguem chegar às áreas afetadas e realizar as tarefas que geralmente realizam (nestas situações)", afirmou.

    O líder tailandês, Samak Sundaravej foi até Yangun para uma reunião com o primeiro-ministro de Mianmar, Thein Sein, mas disse que os militares continuam afirmando que não precisam de ajuda de outros países.

    "Ele insistiu que seu país (pode) lidar com o problema sozinho", disse Samak depois de sua visita de um dia à capital birmanesa.

    Moradores do país informaram ao serviço birmanês da BBC que cidadãos comuns tentaram distribuir água e suprimentos com seus próprios carros, mas soldados confiscaram os carregamentos.

    País 'independente'

    A Junta Militar birmanesa voltou a invocar nesta quinta-feira a "independência" do país para reafirmar que está em condições de administrar a extensa operação de ajuda às vítimas do ciclone Nargis, enquanto o acesso às zonas afetadas continua sendo difícil para os voluntários humanitários estrangeiros.

    "Os birmaneses aceitam qualquer forma de ajuda estrangeira con gratidão, qualquer que seja o valor", afirma um editorial do jornal oficial New Light of Myanmar.

    "No entanto, não confiam muito na assistência internacional e reconstruirão a nação com base na independência", acrescenta o jornal, controlado pela junta militar que govera o país de forma absoluta.

    Desde que em 1962 o general Ne Win assumiu o poder em Mianmar, praticamente todas as autoridades militares birmanesas insistem no tema de que "a nação birmanesa deve contar antes de mais nada com ela mesma", lembram os analistas.

    A atitude acentua o isolamento do país.

    Apesar de Mianmar receber aviões carregados de ajuda internacional, o regime continua limitando a presença de voluntários estrangeiros nas áreas mais afetadas pelo ciclone Nargis, que deixou mais de 66.000 mortos e desaparecidos, segundo um balanço oficial.

    A catástrofe provocou dois milhões de desabrigados, mas a junta insiste em querer controlar a distribuição de ajuda internacional, o que retarda as operações de socorro e limita a quantidade de vítimas que recebem um auxílio efetivo.


    Entenda mais:

     Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação de ciclones

    (*Com informações das agências AFP, EFE e da BBC)

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