Mortos em Mianmá chegam a mais de 22 mil, diz TV estatal

O governo de Mianmá divulgou nesta terça-feira que mais de 22 mil pessoas morreram em decorrência do ciclone tropical Nargis que devastou o país no sábado. De acordo com a televisão estatal, outras 41 mil ainda estão desaparecidas.

BBC Brasil |

O anúncio foi feito horas depois que a junta militar que governa o país aceitou que agências de ajuda internacional fossem enviadas às áreas mais afetadas pelo ciclone.

O ministro para Alívio e Reassentamento, Maung Maung Swe, disse a repórteres em Yangun que a maior parte das mortes não foi causada pela passagem do ciclone, mas por uma onda uma gigante.

"A onda tinha 3,5 metros de altura, que varreu e inundou metade das casas dos vilarejos que ficam a nível do mar. Eles não tiveram para onde fugir", disse ele.

Maung Swe acrescentou que 95% das casas localizadas na cidade de Bogalay, no delta Irrawaddy, foram completamente destruídas.

Em entrevista à emissora, o ministro de Relações Exteriores de Mianmá, Nyan Win, disse que 10 mil pessoas morreram em Bogalay, a 100 quilômetros ao sul da principal cidade do país, Yangun.

Nesta terça-feira, o governo anunciou que, nas áreas mais atingidas pela tragédia, será adiada a realização de um referendo marcado para o próximo dia 10, sobre uma nova Constituição.

O ciclone Nargis atingiu o oeste de Mianmá no sábado com ventos de 190 km/h e provocou ondas gigantes que destruíram cidades e vilas na costa do país.

Cinco regiões de Mianmá foram declaradas zonas de emergência depois do desastre natural.

Abrigo e água
Segundo o representante da ONU para resposta a desastres, Richard Horsey, centenas de milhares de pessoas precisam de abrigo e água potável.

Horsey acrescentou, no entanto, que é impossível dizer exatamente quantas pessoas foram afetadas por causa dos estragos nas estradas e na rede telefônica.

A ONU e agências de ajuda humanitária enviaram equipes de avaliação para as áreas mais atingidas.

Ao expressar pesar pela escala do desastre, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, confirmou que funcionários das Nações Unidas se reuniram com representantes do governo de Mianmá para discutir o envio de ajuda ao país.

A Tailândia anunciou o envio de um avião com nove toneladas de alimentos e remédios, e a Índia mandou dois navios com carregamentos de comida, barracas, cobertores, roupas e medicamentos.

Os Estados Unidos, que liberaram um pacote de ajuda de US$ 250 mil por meio da ONU, pediram às autoridades de Mianmá que deixem as divergências políticas de lado e autorizem a entrada no país de uma equipe americana de assistência a desastres.

A primeira-dama americana, Laura Bush, disse que mais recursos serão destinados à ajuda caso o governo permita a entrada da equipe americana.

Críticos acusam o governo de ter demorado para reagir diante do ciclone e esperam que o desastre tenha sérias repercussões políticas.

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