Mortos em Darfur podem chegar a 300 mil, diz ONU

O subsecretário-geral de ajuda humanitária das Nações Unidas, John Holmes, disse nesta terça-feira que o número de mortos no conflito de Darfur, região do oeste do Sudão, pode chegar a 300 mil. Essa nova estimativa, apresentada por Holmes em um encontro do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, representa um aumento de 50% sobre o cálculo anterior, que era de 200 mil mortos nos cinco anos de conflito.

BBC Brasil |

O número anterior era baseado em um estudo feito em 2006 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nessa estimativa, estão incluídas tanto as pessoas mortas nos combates como aquelas que morreram de doenças e de desnutrição por causa do conflito.

Holmes afirmou que o número de 2006 "deve estar bem maior agora", mas disse que o novo cálculo não está baseado em um estudo.

"Não estou tentando sugerir que este é um número com base científica", disse Holmes a jornalistas, após a reunião do Conselho de Segurança.

As declarações de Holmes foram criticadas pelo embaixador do Sudão na ONU, Abdul Mahmoud Abdel-Halim, que o acusou de exagerar no cálculo.

Segundo Abdel-Halim, cerca de 10 mil pessoas morreram na região de Darfur como resultado dos conflitos iniciados em 2003.

O embaixador sudanês afirmou que o cálculo de seu governo leva em conta apenas os mortos em combate.

Força de paz
No encontro do Conselho de Segurança, o representante da força de paz conjunta da ONU e da União Africana para Darfur, Rodolphe Adada, disse que é pouco provável que a missão chegue ao número total previsto de homens, de cerca de 20 mil, antes de 2009.

Segundo Adada, atualmente a força opera com menos de 40% desse número, e a previsão é de que possa atingir 80% desse contingente até o final deste ano.

Calcula-se que mais de 2 milhões tenham sido obrigadas a deixar suas casas desde 2003 por causa dos conflitos em Darfur.

As hostilidades se iniciaram em 2003, depois que um grupo rebelde começou a atacar alvos do governo, alegando que a região estava sendo negligenciada pelas autoridades sudanesas em Cartum.

A retaliação do governo veio na forma de uma campanha de repressão. Há relatos de intenso bombardeio de vilarejos por aviões da força aérea, seguidos de ataques das milícias Janjaweed, formadas por africanos muçulmanos de origem árabe.

Refugiados e observadores externos afirmam que há uma tentativa deliberada de se expulsar a população negra africana de Darfur.

O governo do Sudão admite a existência de "milícias de auto-defesa", mas nega que tenha ligações com os Janjaweed e diz que as acusações são exageradas.

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