Mortes por terremoto podem chegar a 50.000 na China

Apesar da grande mobilização nacional, a esperança de encontrar sobreviventes do terremoto na China diminuiu brutalmente nesta quinta-feira, com uma estimativa oficial que indica que o úmero de mortes podem chegar a 50.000.

AFP |

De acordo com especialistas, a possibilidade de sobrevivência para mais de três dias diminuem de hora em hora, e encontrar sobreviventes já passa a ser considerado um milagre.

As esperanças, contudo, ainda não desapareceram. As equipes de resgate retiraram nesta quinta-feira uma menina de 11 anos que estava soterrada há 68 horas nos escombros de uma escola de Yingxiu, epicentro do terremoto que devastou o sudoeste da China.

Quase 70 pais estavam esperando ao redor dos escombros da escola primária nesta cidade da província de Sichuan, quando as equipes de resgate ouviram a voz da menina.

"É maravilhoso, está viva", disse uma testemunha ao ver a criança.

Consciente que agora cada minuto conta, o governo lançou um grande movimento de mobilização do Exército, além da população, incentivada a fornecer de maneira urgente pás e equipamentos para ajudar os trabalhos de milhares de socorristas.

"Devemos utilizar todas as nossas forças para salvar vidas custe o que custar", disse o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao em uma reunião de crise do Partido Comunista, antes de acrescentar que esta batalha é a maior prioridade da nação.

Após ter recusado obstinadamente qualquer ajuda de pessoal estrangeiro, o regime chinês finalmente aceitou nesta quinta-feira o envio de especialistas japoneses que correm o risco, contudo, de chegar tarde demais.

"Após 72 horas, as operações de socorro se tornam extremamente difíceis", reconheceu Zhang Zhoushu, vice-diretor do Centro de Prevenção de Desastres e Terremotos, com sede em Pequim.

"Como a destruição foi muito grande e as vítimas estão soterradas muito profundamente, é realmente difícil", prosseguiu, acrescentando que "em tais condições, encontrar sobreviventes seria um milagre".

De acordo com a imprensa oficial, 130.000 soldados participam nos trabalhos, ao lado de cães farejadores. Quase todas as cidades atingidas pelo tremor foram visitadas pelo Exército. A Aeronáutica assegurou mais de 300 sobrevôos nesta quinta-feira para liberar alimentos e material ou enviar pára-quedistas.

Apesar da amplitude das medidas de emergência, parece extremamente difícil salvar milhares de pessoas presas nos escombros nesta zona montanhosa da província Sichuan, devastada pelo tremor de 7,9 graus na escala Richter.

Admitindo implicitamente que o número de mortos será muito grande, o governo chinês divulgou pela primeira vez, na noite desta quinta-feira (hora local), uma estimativa das perdas humanas, de pelo menos 50.000.

Este número parece incluir uma boa parte das milhares de pessoas enterradas sob os escombros.

Além disso, o terremoto colocou em perigo a segurança de várias instalações hidrelétricas na província de Sichuan, como a represa de Zipingu.

As autoridades chinesas detectaram riscos de segurança em mais de 400 represas: "situações perigosas" foram constatadas em 391 depósitos de água em cinco províncias, informou na quinta-feira a televisão estatal citando responsáveis.

Outras 19 foram identificadas no município de Chingqing, próximo à província de Sichuan, duramente afetada pelo terremoto, ressaltou o canal de televisão, que citou como fonte a Agência de Recursos Hídricos local.

Na quarta-feira, o ministro de Recursos Hídricos chinês, Chen Lei, disse que existiam "sérios problemas de segurança" nas instalações hidrelétricas de Sichuan.

"A China terá sérios problemas de segurança e prevenção de inundações nas represas, centrais hidrelétricas e outras instalações", disse Chen Lei.

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