Mortes por epidemia de cólera passam de 1,3 mil no Haiti

Segundo Ministério da Saúde, epidemia matou 1.344, enquanto 56.901 pessoas foram atendidas; na República Dominicana, há 4 casos

iG São Paulo |

Subiu para 1.344 o número de mortes causadas pela epidemia de cólera que atinge o Haiti. Segundo o último relatório, divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde Pública e População, 56.901 pessoas foram atendidas em centros médicos com sintomas da doença.

AP
Paciente descansa em ginásio convertido em centro de tratamento em Cap Haitian, no Haiti

O número de internações desde o início do surto chega a 23.377, das quais 22.487 pessoas receberam alta, segundo o relatório datado de 19 de novembro.

A epidemia desatou manifestações violentas no Haiti, com parte da população acusando as tropas de paz da ONU pelo surto. A violência se espalhou para a capital, Porto Príncipe, pela primeira vez na quinta-feira, três dias depois de acontecerem manifestações no norte.

Os manifestantes arremessaram pedras contra as tropas de paz da ONU , atacaram carros de estrangeiros, bloquearam ruas com pneus em chamas e derrubaram postes de luz. A polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que montaram barricadas.

Os tumultos pela epidemia da doença que deixou mais de 1 mil mortos acontecem mais de uma semana antes de eleições nacionais programadas para 28 de novembro.

República Dominicana

Além dos infectados no Haiti, a doença  contaminou quatro na vizinha República Dominicana. Nesta segunda-feira, o Ministério de Saúde Público confirmou que uma mulher de 20 anos, moradora da Província de Santo Domingo, é o mais recente caso registrado no país.

Na sexta-feira, autoridades confirmaram que uma avó e sua neta de três meses, ambas dominicanas, contraíram a doença. O primeiro doente da República Dominicana foi o haitiano Wilmo Louwe, que apresentou sintomas da doença após retornar de uma viagem ao seu país. Segundo o ministério, todos os pacientes contaminados se encontram estáveis.

As autoridades dominicanas intensificaram, na semana passada, o controle fronteiriço para frear a passagem da doença e adotaram medidas que incluem dispositivos de desinfecção de veículos e pessoas, controle na fronteira com o Haiti, instalação de latrinas e pias, e campanhas de informação e conscientização. 

Com a confirmação dos casos na República Dominicana, a Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que a epidemia de cólera do Haiti inevitavelmente chegará ao país, mas deverá ter consequências menos graves.

Muitos haitianos trabalham na República Dominicana e, como as infecções por cólera com frequência não produzem sintomas, a doença pode atravessar facilmente a fronteira, disse em comunicado Gregory Hartl, o porta-voz da OMS.

"É completamente esperado que haja casos na República Dominicana. Estamos observando os primeiros sinais desses casos e trabalhamos com o governo da República Dominicana para preparar o país", afirmou Hartl. Ele estimou o número de infecções "ainda na casa de um dígito, provavelmente".

Com BBC, EFE e AFP

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