Morte de vaca é motivo de nova polêmica entre Líbano e Israel

Kathy Seleme. Beirute, 18 ago (EFE).- A morte em território libanês de uma vaca israelense que atravessou a fronteira ilegalmente despertou uma nova polêmica entre Líbano e Israel.

EFE |

Os libaneses exigem que os israelenses retirem o corpo, mas estes se negam a fazê-lo, enquanto os integrantes hindus das forças da ONU presentes na região querem que a vaca seja sepultada o mais rápido possível.

Fontes militares asseguraram à Agência Efe que a Força Interina da ONU para o Líbano (Finul) entrou em contato com ambas as partes para a retirada do corpo da vaca, o qual jaz há dias em terras libanesas.

Segundo a imprensa local, é comum que o gado bovino israelense invada território libanês em busca de pasto e água, especialmente no ponto conhecido como açude de Batail, nas colinas fronteiriças de Kafarchuba.

Aparentemente não é difícil avistar os animais nos vales de Meis el Jebel e Hula, no sul libanês, onde, segundo a imprensa do país, o Exército libanês interceptou alguns deles inclusive por meio de tiros.

Uma fonte militar da Espanha, país que envia tropas para a Finul, explicou que o contingente espanhol no local está levantando uma cerca com três acessos para permitir que o gado libanês tenha acesso ao açude e o israelense, não.

"Não há nenhum acordo para que as vacas israelenses possam entrar e beber água. O que acontece é que as vacas não sabem o que é a fronteira e entram, e nós não podemos impedir isso", disse a fonte, que preferiu não revelar sua identidade.

A fonte minimizou a importância da questão da vaca e ressaltou que era uma situação comum e que não tinha despertado tensões.

Não parece provável que uma vaca motive um novo conflito armado entre os dois países, mas a imprensa libanesa carregou nas tintas e denunciou uma "invasão" de vacas guiadas por pastores israelenses que dizimam os pastos e bebem a água do açude de Batail, vital para o gado libanês.

A incursão das "vacas inimigas", como foram batizadas pelos jornais locais, obrigam os vaqueiros e pastores libaneses a instigar seus cachorros a espantar as vacas israelenses.

As denúncias da imprensa libanesa ainda asseguram que cachorros israelenses com raiva também cruzam a fronteira com o país por meio do posto fronteiriço de "Cheikh Abbad" em Hula. A ideia seria deixar os animais se espalharem pelos vales próximos para contaminar o gado do Líbano.

Os cachorros que foram avistados pelas tropas libanesas tiveram o mesmo destino da vaca: foram interceptados a tiros. EFE ks-jfu/bba

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