Morte de Ted Kennedy deixa vazio na política americana

Washington - O senador Edward Kennedy, bastião da dinastia que dominou a política americana nos anos 60, e que se viu cercada de glamour e desgraça na mesma medida, morreu na madrugada de hoje aos 77 anos, vítima de um câncer cerebral.

EFE |

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    A morte do senador, engajado em causas tão diversas como a reforma na saúde, o salário mínimo e a imigração, deixa um vazio no Congresso dos EUA e na política americana que será muito difícil de ser preenchido.

    Não é apenas que o Senado ficará, pela primeira vez em décadas, sem um representante da coisa mais parecida com uma família real que os EUA contam.

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    O senador era um dos mais respeitados políticos dos EUA

    Desaparece um político de outra era, de quando o conceito de serviço público era um dever e não uma desculpa, um mestre na negociação que levou adiante muitas causas que pareciam perdidas e o verdadeiro mentor de uma geração de políticos.

    Já há algum tempo o senador pelo estado de Massachusetts tinha diminuído sua atividade política.

    Desde que, em maio de 2008, teve detectado um tumor cerebral incurável, que o manteve hospitalizado, as aparições de Ted Kennedy no Senado, seu segundo lar ao longo de meio século, ficaram menos frequentes.

    Ted Kennedy não só foi uma figura-clave para conseguir que Obama fosse nomeado candidato presidencial do Partido Democrata e, posteriormente, eleito presidente dos EUA.

    Foi também um estreito colaborador do presidente americano em uma causa pela qual ambos sentiam verdadeira paixão: a reforma no sistema de saúde.

    A ausência de Ted Kennedy e de sua habilidade em conduzir temas complicados com diferentes tipos de políticos no Senado são apontadas por muitos como a razão das dificuldades que a Casa Branca está tendo para conseguir que a reforma na saúde avance.

    O senador, no entanto, não foi apenas líder nas questões ligadas ao sistema de saúde. Para o Partido Democrata, era referência moral.

    Com seu discurso em prol da justiça social, da educação para todos e da integração dos imigrantes, era o ícone da ala mais liberal do partido, um rótulo que ostentava mesmo em momentos em que se dizer liberal - como depois dos atentados do 11-9 - era quase de mau gosto.

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    Ted faz discurso no Senado dos EUA

    No entanto, sua evolução como símbolo moral democrata partiu de um começo improvável.

    Em julho de 1969, o então jovem senador retornava de uma festa junto a sua assistente Mary Jo Kopechne, quando seu carro caiu em um canal na ilha de Chappaquiddick, em Massachusetts. Ted Kennedy conseguiu sair, mas sua acompanhante morreu asfixiada.

    Ele deixou o local e não avisou a Polícia até o dia seguinte, em um episódio que ainda hoje é cercado de mistério e que o acompanhou desde então.

    Em parte pela repercussão daquele fato, se atribui o fracasso de sua candidatura à Presidência dos EUA, em 1980, quando foi derrotado em acirradas primárias democratas por Jimmy Carter.

    Nascido em 22 de fevereiro de 1932 em Boston, foi o mais jovem dos nove filhos de Joseph Kennedy e Rose Fitzgerald e o último sobrevivente dos irmãos homens, depois da morte de John, então presidente dos EUA, em 1963, e Robert, em 1968, durante campanha presidencial.

    Advogado de carreira, se graduou na Universidade de Harvard e serviu no Exército entre 1951 e 1953.

    Foi senador a partir de 1962, quando ocupou a vaga deixada por seu irmão John, que chegou à Casa Branca. Nunca a deixaria. A última de suas reeleições foi em 2006 e seu mandato valeria até 2013.

    Antes de morrer, presidia o Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Previdência no Senado, onde trabalhou para levar à frente uma lei, no ano passado, que aumentava o salário mínimo.

    Em 2007, foi um dos principais patrocinadores da fracassada tentativa de reformar o sistema migratório.

    Deixou sua marca em centenas de leis relacionadas com sistema de saúde, direitos civis, educação, serviços sociais e outros assuntos.

    Divorciado após 24 anos de casamento, em 1982, de sua primeira mulher, Joan, com quem teve três filhos, era casado desde 1992 com Victoria Reggie, com quem teve outros dois filhos.

    Reportagem de Macarena Vidal

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