Morte de Ted Kennedy deixa dinastia política sem líder

Teresa Bouza. Washington, 26 ago (EFE).- O clã Kennedy ficou hoje sem sucessor aparente após a morte de seu patriarca, o senador Ted Kennedy, cujo falecimento marca o fim de um capítulo na grandiosa e trágica história desta poderosa dinastia política americana.

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O mais novo dos nove filhos de Rose e Joseph Kennedy e o último sobrevivente de quatro irmãos homens, Ted Kennedy foi durante décadas a face mais visível de uma família que a dramaturga americana Clare Boothe Luce (1903-1987) descreveu como "indomável, honorável e vulnerável".

"Em que outro lugar, além da ficção gótica, seria possível encontrar tais triunfos e tragédias, tal beleza e encantamento (...) e ao mesmo tempo tal ambição, orgulho e fraqueza humana?", se perguntou Luce em um memorável texto sobre os Kennedy.

A morte de Ted Kennedy ocorre poucas semanas depois da de sua irmã mais velha, Eunice Kennedy Shriver, de 88 anos, criadora dos Jogos Olímpicos Especiais.

"Eunice está agora com Deus no céu. Sei que nossos pais e irmãos e irmãs que se foram antes dela estarão encantados de tê-la outra vez a seu lado", afirmou o senador de Massachusetts em comunicado após o falecimento de Eunice.

Jean Kennedy Smith, de 81 anos, é agora a única sobrevivente da rica, católica e progressista dinastia de origem irlandesa, batizada por alguns como a "família real" americana, e cujos rostos já começam a desvanecer na história.

Por isso, analistas se perguntam quem assumirá a dianteira de uma geração de políticos cujos dois membros mais proeminentes, o presidente John Kennedy e o senador Robert Kennedy, foram assassinados nos anos 60.

O outro filho homem, o primogênito Joseph (1915-1944), morreu ao comando de um bombardeiro B-24 na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, em um dos muitos episódios trágicos da família Kennedy.

Para Ben Bradlee, ex-diretor do jornal "The Washington Post" e amigo de John Kennedy, a dinastia já havia chegado ao seu ocaso definitivo mesmo antes da morte de Ted Kennedy.

"Não acho que haja ninguém na próxima geração dos Kennedy cujo trabalho possa ser comparado ao da geração de seus pais", disse Bradley ao "Post" em meados deste mês.

As esperanças estavam em Caroline Kennedy, a única filha viva do ex-presidente e que poderia ocupar a cadeira deixada no Senado pela agora secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Mas as previsões não se cumpriram e os Kennedy carecem hoje de uma figura capaz de sustentar um nome que foi protagonista da política americana durante seis décadas.

Muitos dos membros mais jovens da família mantêm um papel ativo na vida política americana, mas não possuem, pelo menos por enquanto, a influência de seus antecessores.

Joseph Kennedy, o filho mais velho de Robert Kennedy, é um dos descendentes para o qual os observadores políticos olham com atenção.

Diretor da organização sem fins lucrativos Citizens Energy, que doa combustível barato para calefação aos habitantes mais pobres de Massachusetts, serviu durante seis períodos como legislador pelo estado.

Patrick Kennedy, filho de Ted Kennedy, também pode surpreender e concorrer inclusive pela cadeira de seu pai, mas o congressista de 42 anos não é alheio às polêmicas depois que sua luta contra a dependência a analgésicos veio a público há três anos.

Não falta quem lembre, de todo modo, as poucas esperanças que Joseph Kennedy, o rico empresário fundador do clã, tinha no caçula da família.

Entretanto, os eventos obrigaram Ted Kennedy a superar expectativas e o levaram a se transformar no "leão do Senado" americano e no guardião de um legado familiar que, a partir de hoje, volta a precisar de um herdeiro. EFE tb/bba

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