Morte de suspeito fecha investigação sobre antraz nos EUA

Por James Vicini WASHINGTON (Reuters) - O cientista militar Bruce Ivins foi o único responsável pelos ataques com antraz que mataram cinco pessoas em 2001 nos EUA, e por isso sua morte encerrará o processo, disse na quarta-feira o procurador federal Jeffrey Taylor.

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'Estamos confiantes de que o dr. Ivins foi a única pessoa responsável por esses ataques. Estamos começando o processo de concluir esta investigação. Assim que este processo estiver completo, vamos encerrar formalmente o caso', disse Taylor em entrevista coletiva.

Ivins se matou antes de ser acusado.

Além de causar cinco mortes, as cartas com a bactéria antraz contaminaram outras 17 pessoas que afinal se recuperaram. Os ataques afetaram seriamente o serviço postal dos EUA e causaram medo na população, pouco tempo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Nos argumentos da acusação contra Ivins, divulgados na quarta-feira, consta que, pouco antes de enviar as cartas, Ivin mandou por email um alerta de que 'terroristas de (Osama) bin Laden' iriam incluir ataques com antraz e gás sarin. O linguajar era semelhante ao das cartas.

Em mais de cem páginas de documentos, a promotoria tentava provar que Ivins tinha um grande frasco de esporos altamente purificados de antraz, idênticos aos usados nas cartas.

Ali aparece um homem paranóico, sob pressão por causa de um problemático projeto de vacina contra o antraz, com múltiplas ligações substanciais com os destinatários das cartas -- e além de tudo dono de um exemplar do livro 'A Peste', de Albert Camus.

No email recolhido na investigação, Ivins declarava que os terroristas 'acabam de decretar a morte de todos os judeus e todos os americanos.'

'Temos este antraz... Morte à América... Morte a Israel', concluía o texto, todo letras maiúsculas.

Os investigadores disseram que Ivins não apresentou uma explicação convincente para os longos serões no laboratório na época das cartas com antraz, quando teria confessado a um colega que tinha idéias paranóicas. Ele também teria tentado enganar o FBI apresentando amostras falsas.

O cientista, morto aos 62 anos, era microbiologista no laboratório do Exército para pesquisas em biodefesa, no quartel Fort Detrick, Maryland.

Seu advogado, Paul Kemp, disse que ele provaria sua inocência no julgamento.

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