Morte de motociclista causa rebelião contra polícia na China

PEQUIM (Reuters) - Centenas de pessoas se confrontaram com a polícia chinesa no sul do país, arremessando pedras e ateando fogo a um carro oficial, depois que um motociclista morreu ao tentar evitar posto de controle policial, informou a agência de notícias Xinhua neste sábado. O conflito em Shenzhen, que durou da tarde de sexta-feira até a manhã de sábado, começou quando parentes do motociclista levaram seu corpo a uma delegacia e um grupo de cerca de 30 pessoas quebrou alguns objetos no local e soltou fogos de artifício, de acordo com o relato.

Reuters |

O grupo inicial aumentou para 400 pessoas, mais cerca de 2.000 espectadores, afirmou a polícia. Alguns jogaram pedras e atearam fogo em uma viatura policial antes de se dispersar por volta das duas horas da manhã.

O motociclista foi identificado como Li Guochao, de 31 anos. A polícia declarou que ele estava dirigindo uma moto sem licenciamento e passou em alta velocidade pelo posto de controle policial no bairro de Bao'na, informou Xinhua.

Ele então fez o retorno num cruzamento e dirigiu de volta pelo outro lado da pista. Naquele momento, um funcionário do posto jogou seu walkie-talkie em Li, fazendo com que ele perdesse o controle e acertasse um poste de iluminação, reportou Xinhua.

Os parentes de Li reivindicaram uma compensação do governo no valor de 600 mil yuan (88 mil dólares), de acordo com a agência Xinhua, acrescentando que os governantes locais prometeram um adiantamento de 200 mil yuan, sendo que qualquer compensação final seria paga após o exame de autópsia.

O funcionário de posto de controle foi detido pela polícia, mas a agência Xinhua informou que o escritório de segurança da cidade determinou que a polícia demonstrasse moderação ao lidar com os distúrbios.

Protestos e incidentes de grande porte vêm aumentando na China, marcados por crescentes reclamações que incluem o abuso de poder pelas autoridades e corrupção, confisco de terras e disputas a respeito do meio ambiente e questões administrativas. Mas Pequim não informou os números de protestos nos últimos anos.

Um alto oficial da polícia chinesa pediu aos policiais para evitar inflamar os protestos num momento de crescente complexos distúrbios sociais.

Em junho, a população de Weng'na, província de Guizhou, ateou fogo e saqueou o quartel general da polícia e de oficiais do governo depois que alegações de que a polícia havia encoberto o estupro e assassinato de uma menina se espalharam pela cidade.

(Reportagem de Ken Wills)

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