Morte de jovem em confronto com Polícia gera tensão na Grécia

Adriana Flores. Atenas, 7 dez (EFE).- A tensão aumenta na Grécia após a morte de um adolescente por um tiro disparado por um policial ontem à noite em Atenas, que gerou uma forte onda de violentos distúrbios, levou milhares de cidadãos às ruas e resultou na detenção do agente, acusado de homicídio doloso.

EFE |

A imprensa local qualificou os protestos como os piores desde 1985, quando outro jovem estudante também morreu em enfrentamentos com a Polícia.

O policial grego, de 37 anos, que supostamente disparou contra o estudante de 16 anos Alexandros Grigoropulos ontem à noite, foi detido hoje, acusado de homicídio doloso, informou o canal estatal de televisão "NET".

Segundo a emissora, a Promotoria está acusando o agente, de 37 anos, de "homicídio doloso e uso ilegal de arma", enquanto o outro policial envolvido no caso foi acusado de ter sido "cúmplice no assassinato".

Antes de serem detidos, os dois policiais tinham sido afastados de seus cargos.

A versão da Polícia sobre o fato contrasta com a de várias testemunhas.

A Polícia explicou que a tragédia ocorreu quando uma viatura que patrulhava o bairro de Exarhia, no centro de Atenas, foi atacada com pedras e bombas incendiárias por um grupo de cerca de 30 pessoas encapuzadas.

Em comunicado divulgado esta manhã, a Polícia afirmou que os agentes "saíram do veículo" e foram até os manifestantes "para prendê-los". Ao ser "novamente alvo de agressões", "um dos policiais fez um disparo com uma bala de festim e o outro disparou três vezes com o revólver", matando o jovem.

O estudante foi atingido no tórax por uma bala e morreu em conseqüência do grave ferimento.

Contrariando a versão oficial, uma jovem que se encontrava no local declarou a uma rede de televisão privada que "os manifestantes não atacaram os policiais com objetos nem com bombas incendiárias", enquanto um taxista assegurou que viu como "o policial disparou contra o jovem a sangue frio".

Outros canais e emissoras atenienses recolheram depoimentos segundo os quais a provocação contra os policiais foi "apenas de insultos".

A notícia da morte do jovem se propagou rapidamente e provocou violentas manifestações em Atenas e em outras cidades, que foram repelidas pela Polícia com gás lacrimogêneo.

Mais de 30 lojas, 16 filiais de bancos e 13 veículos ficaram destruídos ontem à noite pela ação dos jovens, que lançaram pedras e provocaram vários incêndios, segundo uma avaliação provisória dos danos materiais feita pelos bombeiros.

Hoje a violência voltava às ruas em manifestações em Atenas e em Salônica.

Na capital, uma grande manifestação com cerca de dez mil pessoas, segundo a imprensa, foi dissolvida com gás lacrimogêneo antes de chegar à sede do quartel-general da Polícia, perante o vandalismo de grupos de jovens radicais encapuzados que atiravam pedras e bombas incendiárias.

Em Salônica, cerca 500 manifestantes atacaram também com pedras e outros objetos um quartel da Polícia.

Após a morte do jovem, o ministro do Interior grego, Prokopis Pavlopoulos, apresentou sua renúncia ao primeiro-ministro Costas Caramanlis, mas ela não foi aceita.

Em coletiva de imprensa, Pavlopoulos lamentou profundamente a tragédia, prometeu "castigar os culpados" e expressou seu apoio ao trabalho da Polícia.

Os eventos de hoje e ontem lembram o caso de Michalis Kaltezas, um jovem de 15 anos que em 1985 morreu durante uma manifestação também em Exarchia por um disparo de um policial.

O caso foi origem de manifestações e enfrentamentos entre as forças da segurança e grupos de jovens radicais durante vários anos, especialmente no citado bairro ateniense.

Os partidos de oposição condenaram hoje o assassinato do jovem, e Mania Vasepski, porta-voz da organização Rede para os Direitos Sociais e Humanos, que junto com outros agrupamentos convocou novas manifestações para hoje e amanhã, declarou à imprensa ateniense viver "em um Estado policial". EFE afb/ab/rr

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