O produtor agrícola Franklin Brito, cujas terras passaram a ser controladas pelo Estado desde 2005, estava em greve de fome

A morte do agricultor venezuelano Franklin Brito, que estava em greve de fome há meses para protestar contra a política de expropriação de terras - da qual ele mesmo foi vítima, provocou críticas nesta terça-feira contra o silêncio do governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Depois de seis anos de protestos para recuperar a plena propriedade de suas terras e oito greves de fome, o agricultor de 49 anos faleceu na segunda-feira no hospital militar de Caracas, onde estava internado - segundo sua família, contra sua vontade.

Para Andrea Tabares, dirigente do partido Pátria para Todos (PPT), não houve uma resposta por parte do governo que pudesse ter impedido sua morte. "É um dia triste para a democracia, para nosso país. Mais uma vez é necessário o compromisso para continuar lutando e evitar que o país continue indo ralo abaixo", lamentou.

Um dos principais partidos de oposição, o Primeiro Justiça, disse em comunicado à imprensa que a morte do agricultor é reflexo de uma sociedade debilitada e sem poder. "Estamos vivendo em um país cuja sociedade está doente, onde a ausência de diálogo e entendimento leva os mais vulneráveis a tomar decisões tão drásticas como a de um pai disposto a morrer por seus direitos e em defesa de um direito consagrado na Constituição Nacional: a propriedade privada".

Para família de agricultor, a morte de Brito é símbolo da luta pela liberdade na Venezuela
Reuters
Para família de agricultor, a morte de Brito é símbolo da luta pela liberdade na Venezuela
Segundo comunicado divulgado pela família, a morte de Brito é um "símbolo" para o povo venezuelano da luta pela liberdade. "Franklin Brito deixa de ser carne para tornar-se um símbolo e bandeira para todos os atropelados pela soberba do poder, para os ofendidos pela prepotência dos governantes", diz o comunicado.

Ativismo

Em 2005 o governo tomou o controle das terras de Brito, no Estado de Bolívar. No dia 10 de maior daquele mesmo ano, Brito completou seu primeiro protesto, quando, frente a repórteres que convocou em uma praça de Caracas, cortou o dedo mínimo de uma das mãos e ameaçou cortar um dedo a cada semana em protesto contra o governo Chávez.

Apesar de no fim de 2009 o Executivo venezuelano ter revogado a ordem de intervenção das terras, o produtor agrícola iniciou uma greve de fome semanas depois, alegando que o Instituto Nacional de Terras (Inti) não entregou o documento que anulava a expropriação e também não pagou uma indenização.

O agricultor chegou a pesar 43 kg quando pediu para ser tratado pela Cruz Vermelha, já que dizia não confiar em médicos do hospital militar, do governo. Em julho, um tribunal de Caracas autorizou a Cruz Vermelha a atender o produtor, depois de o vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, dizer que havia sido criada uma campanha sobre o caso do produtor agropecuário.

De acordo com informações do jornal venezuelano El Universal, Brito chegou a pesar 38 kg e ter apenas 10% de massa corporal, no meio do mês. Desde o dia 20 de agosto até a sua morte, ele esteve em coma induzido.

De acordo com dados oficiais, em 2009 o Estado venezuelano recuperou 500 mil hectares de terras que estavam em mãos privadas.

*Com AFP e EFE 

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