Washington, 31 dez (EFE).- A morte de sete funcionários da CIA (agência de inteligência americana) em um ataque com explosivos no Afeganistão fechou o ano em que os Estados Unidos sofreram mais baixas nesse país desde a invasão em 2001.

Este ataque é também um dos mais graves na história dos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

Um homem que estava com um uniforme do Exército Nacional Afegão e escondia um colete com explosivos entrou na quarta-feira na base Chapman, na província de Khost, e detonou sua carga, matando e ferindo várias pessoas.

Khost é vizinha à região tribal de Waziristão Norte, no Paquistão, de onde os talibãs e seus aliados lançam ataques através da fronteira. Um porta-voz talibã atribuiu a esse movimento o ataque contra a base americana.

A CIA confirmou hoje, em comunicado, que o ataque matou sete funcionários da agência e outros seis ficaram feridos. No entanto, o diretor da agência, Leon Panetta, ordenou que não fossem divulgadas mais informações dos agentes, "pela natureza de sua missão e por outras operações em andamento".

O ataque pode ser o mais letal contra a principal agência de espionagem e operações clandestinas dos Estados Unidos, que, desde sua criação, em 1947, perdeu 90 funcionários em ação.

Os mortos e feridos, disse Panetta, em comunicado aos empregados da agência, "estavam longe da pátria e perto do inimigo, realizando a dura tarefa que deve ser feita para proteger este país contra o terrorismo".

"Devemos nossa gratidão mais profunda (aos mortos) e prometemos a eles e a suas famílias que jamais pararemos de lutar pela causa à qual eles dedicaram suas vidas: uma nação protegida", disse Panetta.

"Este é o pesadelo que antecipávamos desde que fomos ao Afeganistão e ao Iraque", disse ao jornal "The Washington Post" John McLaughlin, ex-subdiretor da CIA que agora é membro do conselho de direção de um grupo que apoia filhos de funcionários da agência mortos em cumprimento do dever.

"Nossa gente frequentemente está ali, na linha de frente, sem uma proteção adequada, e arriscam suas vidas", acrescentou.

A CIA honra e lembra seus mortos com estrelas talhadas em um muro de mármore em seu edifício central em Langley.

O jornal "The New York Times" afirmou que "o ataque ocorreu quando a agência esteve aumentando de maneira sustentada sua presença no Afeganistão e no Paquistão, e às vezes enviou agentes para bases remotas, em vez de mantê-los nas embaixadas, vigiadas, de Cabul e Islamabad".

O ataque fechou um ano no qual pelo menos 310 soldados dos Estados Unidos morreram no Afeganistão. Desde a invasão desse país, em outubro de 2001, morreram em ação de combate ou em outras circunstâncias pelo menos 949 militares americanos, mas o número deste ano é o dobro do registrado em 2008.

Também foi um ano de luto para os aliados dos EUA na operação no Afeganistão. Em 2009, morreram nesse país 107 soldados britânicos, 32 canadenses, 11 franceses, nove italianos e oito poloneses. No total, desde 2001, morreram no Afeganistão pelo menos 1,567 mil soldados dos Estados Unidos e de seus aliados.

O total de baixas das forças estrangeiras este ano foi de pelo menos 520 soldados, comparado aos 295, em 2008, e aos 232, em 2007.

A presença de pessoal das agências de espionagem e operações clandestinas e das forças militares especiais adquiriu mais importância no Afeganistão, onde o presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou uma estratégia de contrainsurgência.

Em abril, Obama ordenou o envio de mais 21 mil soldados ao contingente americano no Afeganistão e, em dezembro, ordenou mais 31 mil adicionais, e com isso haverá no país asiático cerca de 100 mil soldados americanos em meados do próximo ano. EFE jab/an

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