Mortalidade materna, aborto e imigração refletem desigualdades na Argentina

Buenos Aires, 23 mar (EFE).- A Argentina enfrenta claras desigualdades em sua população, com índices de mortalidade materna evitáveis, 500 mil abortos ao ano, pacientes de aids cada vez mais pobres e imigrantes em situação marginal, segundo um relatório da ONU apresentado hoje em Buenos Aires.

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Apesar do grande crescimento econômico do país desde a profunda crise de 2001, "as desigualdades entre províncias" e as "disparidades sociais e de gênero" são "os desafios a superar", aponta o estudo "Análise da Situação de População na Argentina" do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês).

Estas desigualdades prejudicam o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, assinados em 2000 por 189 países, com a intenção de alcançar em 2015 melhorias nas áreas de saúde, educação e pobreza frente aos níveis de 1990.

"O drama da mortalidade materna - quatro mães mortas a cada dez mil bebês nascidos vivos - ganha sua real dimensão quando se adverte que, em sua maior parte, é evitável", diz o relatório da ONU.

A taxa de mortalidade materna se mantém "relativamente elevada em relação aos serviços sanitários disponíveis no país", acrescenta o documento de mais de 200 páginas, que compila estatísticas oficiais e estudos de organismos internacionais.

Apresentado hoje no Centro de Informação da ONU em Buenos Aires, o relatório também mostra que as complicações após abortos se mantiveram nos últimos 15 anos como a principal causa de morte materna.

Porém, dado que o aborto induzido é ilegal na Argentina, "sua magnitude só pode ser estimada por meios indiretos", os quais alertam que as interrupções voluntárias de gravidez oscilam entre 372 mil e 522 mil por ano.

A população adolescente é uma das principais vítimas do problema.

Sua fecundidade apresenta "muitas disparidades" entre as 23 províncias argentinas, principalmente na comparação entre o empobrecido norte argentino e os principais centros urbanos.

Os adolescentes representam um quarto da população da Argentina, estimada em quase 40 milhões de habitantes.

Parte desta faixa da população está excluída do sistema educacional - 12% dos adolescentes entre 13 e 17 anos e 53% dos jovens entre 18 a 22 anos.

Além disso, a taxa de desemprego entre os argentinos dessa idade é "grande" devido a uma oferta "limitada" de postos de trabalho, aponta o estudo.

A mortalidade infantil também é outro problema relevante na Argentina. Segundo os últimos números oficiais, a taxa de mortalidade infantil está em 13,3 mortes de crianças menores de um ano por cada mil nascidas vivas, indicador que está "estagnado" e "esconde grandes desigualdades", diz o relatório da ONU.

O documento também dedica uma parte aos pacientes de aids no país - 120 mil, segundo estimativas - e diz que a doença "está se tornando mais própria das camadas sócio-econômicas mais baixas".

Além disso, o documento aborda outros setores que enfrentam uma "situação social desvantajosa", como os 603 mil indígenas argentinos e os imigrantes procedentes de países sul-americanos, que "mantêm uma inserção relativamente marginal no mercado de trabalho", segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) recolhidos pela UNFPA.

"Após a etapa de imigração em massa (início do século XX), os fluxos migratórios para a Argentina foram mais modestos e provenientes fundamentalmente de países vizinhos. Hoje em dia, a Argentina continua sendo o epicentro da migração na América do Sul", afirma.

Por outro lado, o relatório mostra que o principal destino da emigração argentina é a Espanha, em um fluxo acentuado durante a crise local.

Entre 2001 e 2007, o número de argentinos que migraram para a Espanha cresceu 221,6%, chegando a 272.985.

A Argentina também não escapa do fenômeno de envelhecimento da população enfrentado principalmente pelos países europeus. Segundo projeções para 2050, haverá mais argentinos acima de 60 anos (24,8 %) do que com menos de 15 anos (17,8 %). EFE ms/bba

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