O cardeal italiano Pio Laghi, que foi núncio apostólico na Argentina de 1974 a 1980 e acusado pelas Mães da Praça de Maio de ter apoiado a ditadura, morreu na noite de sábado em um hospital de Roma aos 86 anos, anunciou neste domingo a Rádio Vaticano.

Diplomata de alto escalão, o cardeal foi denunciado como "cúmplice" do desaparecimento de opositores políticos pela associação de mães argentinas e foi, inclusive, alvo de um processo judical ante a justiça italiana que não foi adiante.

O religioso explicou em 1997 que só soube o que aconteceu depois que deixou a Argentina. "Apenas no fim de 1979 tive a certeza de que as violações dos direitos humanos foram sistemáticas e então as condenei ", declarou na ocasião.

Nessa mesma época, foi um dos artesãos da mediação do Vaticano que permtiu, em 1978, evitar a guerra entre a Argentina e o Chile pela soberania sobre o canal de Beagle.

Em 1990 foi nomeado prefeito da Congregação para a Educação católtica por João Paulo II, posto que deixou em 1999. Em 2003, viajou a Washington para tentar convencer o presidente George W. Bush a não invadir o Iraque.

Seus funerais serão realizados na terça-feira.

afp/cn

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