HAVANA - O vice-presidente cubano, Juan Almeida, número três entre os históricos da revolução dos irmãos Fidel e Raúl Castro, morreu aos 82 anos, vítima de uma parada cardiorespiratória, informou neste sábado (11) a imprensa oficial.

Seu falecimento, pouco antes da meia-noite de sexta-feira, deixa claro a passagem do tempo sobre a velha guarda que meio século depois da revolução segue governando Cuba.

EFE
Juan Almeida ao lado de Raúl Castro (dir.)
O logotipo do diário oficial Granma foi publicado neste sábado em preto em sinal de luto, junto com uma fotografia de Almeida em seus dias de guerrilheiro.

O governo cubano declarou o domingo dia de luto nacional para honrar Almeida, que era o único comandante negro da revolução.

"O nome do comandante da revolução Juan Almeida Bosque permanecerá para sempre no coração e na mente de seus compatriotas como paradigma de firmeza revolucionária, sólidas convicções, valentia, patriotismo e compromisso com o povo," afirmou o Birô Político do Partido Comunista, em nota publicada no portal do Granma.

Almeida será sepultado nas montanhas do leste de Cuba, onde combateu há 50 anos sob as ordens de Fidel Castro.

O Granma destacou sua proximidade com Fidel Castro, de 83 anos, afastado do poder desde que adoeceu, em meados de 2006.

"O Comandante Almeida esteve sempre na primeira linha de combate junto ao chefe da revolução, valente, decidido e fiel até as últimas conseqüências," afirmou o jornal.

"Artifícei da revolução"

O presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, disse em ato em frente à missão diplomática dos EUA em Havana que Almeida "é um dos principais artífices da revolução cubana".

"Foi um homem de origem muito humilde, pedreiro, negro. Toda sua vida trabalhou com suas mãos, com o suor de seu rosto, mas era um homem de muita sensibilidade, músico, poeta e foi soldado no combate revolucionário desde o primeiro momento", disse Alarcón ao concluir uma vigília para pedir a liberação de cinco agentes presos nos Estados Unidos desde 1998 por acusações de espionagem.

Pouco antes, cerca de 1.000 cubanos convocados para o ato respeitaram um minuto de silêncio para recordar o comandante.

"São tantas as impressões que tenho por trás de sua morte que não tenho como resistir a esse grande choque de quem foi um exemplo em Cuba", afirmou Eleida Padrón, uma sindicalista que afirmou ter trabalhado junto a Almeida no começo da revolução, na década de 1960.

Almeida era vice-presidente do Conselho de Estado e membro do poderoso Birô Político do Partido Comunista.

Em seus últimos anos, Almeida costumava receber a novos embaixadores estrangeiros em Cuba. Também era considerado um influente mediador dos assuntos internos do Partido Comunista e um dos homens de maior confiança do presidente Raúl Castro.

(Esteban Israel e Nelson Acosta)

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