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Morre Tirofijo , o guerrilheiro mais velho do mundo

(atualiza com comunicado oficial sobre morte de Tirofijo) Bogotá, 24 mai (EFE).- O guerrilheiro mais velho do mundo e fundador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Pedro Antonio Marín, mais conhecido como Tirofijo ou Manuel Marulanda Vélez, morreu no dia 26 de março em circunstâncias que ainda estão por ser confirmadas, afirmou hoje um alto comando militar.

EFE |

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Militares da Colômbia, o almirante René Moreno, confirmou hoje a morte do máximo chefe das Farc às 18h30 (20h30 de Brasília) do dia 26 de março no departamento de Meta.

O comunicado lido pelo almirante Moreno reconhece que ainda se desconhece se o líder das Farc morreu por causa dos bombardeios e operações militares realizadas em Meta ou por causas naturais.

O texto assinala que "entre as Farc, a versão que se maneja é que morreu por causas naturais, especificamente por uma parada cardíaca, e que designaram como seu sucessor 'Alfonso Cano'", conhecido como de Guillermo León Sánez, ideólogo político e chefe do Bloco Ocidental do grupo insurgente.

O alto comando militar destacou hoje que "tanto se a morte de 'Marulanda' tenha sido em um bombardeio ou por causas naturais, este seria o mais duro golpe sofrido por este grupo terrorista", já que "'Tirofijo' era quem mantinha o grupo coeso".

Os analistas coincidem em que "Tirofijo" era quem, apesar de seus 78 anos, dava as ordens do movimento ilegal. Por isso, sua morte, que se soma à de outros dirigentes no mesmo mês, deixa a direção do grupo insurgente mais crítica.

O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, tinha antecipado em uma entrevista à revista "Semana" publicada hoje em sua página eletrônica que o guerrilheiro mais velho do mundo tinha morrido no dia 26 de março, segundo uma informação que lhe foi passada por uma fonte fidedigna.

"Deve estar no inferno (...) para onde vão todos os criminosos mortos", disse o titular da Defesa, destacando que a informação que têm é que o dirigente histórico das Farc, de 78 anos, "já se foi".

"Essa é a última informação que temos e que estamos corroborando", afirmou Santos. O ministro do Interior e de Justiça, Carlos Holguín, também disse hoje que estavam tentando confirmar o falecimento.

O vice-presidente Francisco Santos advertiu, ao mesmo tempo, que a política de segurança democrática ou as doenças acabarão com a guerrilha das Farc.

"Parece que 'Tirofijo' morreu de uma doença. Quem sabe não foi outro êxito da política de segurança democrática (contra os grupos rebeldes e o narcotráfico)", disse Santos a jornalistas em Carepa, localidade do noroeste da Colômbia.

A Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol, com sede em Estocolmo, Suécia), que apóia as Farc, assinalou que a morte de "Manuel Marulanda" só poderá ser confirmada pelo comando central rebelde.

"Até agora o Secretariado Nacional das Farc não emitiu nenhum comunicado" sobre o suposto falecimento do líder guerrilheiro, informa a Anncol, destacando que essa é "a única fonte verdadeira".

A agência disse que "para Bogotá, 'Marulanda' deve estar morto ou morrer o mais breve possível", dizendo que "se morreu, sua passagem não foi estéril pela pátria grande de (o Libertador Simón) Bolívar".

"Tirofijo", nascido no dia 12 de maio de 1930 em Gênova (no centro oeste do país) no seio de uma família camponesa e que antes de fundar as Farc foi lenhador, açougueiro e vendedor, sofria de um câncer de próstata, segundo diferentes fontes.

A vida do líder rebelde ficou profundamente marcada pelo assassinato, no dia 9 de abril de 1948, do líder do Partido Liberal Jorge Eliécer Gaitán, que marcou o início de uma época sangrenta que se estendeu várias décadas na Colômbia.

Após organizar as autodefesas camponesas em sua região natal, com tendências comunistas, organiza em 1966 as Farc, junto com o dirigente Luis Alberto Morantes, conhecido como "Jacobo Arenas", já falecido e que foi um dos ideólogos da guerrilha.

De acordo com alguns de seus biógrafos, seu apelido obedecia a sua boa pontaria, pois "onde punha o olho, colocava a bala".

Seus companheiros de armas descreveram "Marulanda" como um "homem desconfiado", apesar de sua aparência de "camponês bonachão", e muitas ocasiões foi dado por morto, a primeira delas em 1951.

A morte do velho guerrilheiro se soma à de outros dois chefes das Farc mortos também em março.

Luis Edgar Devia, ou "Raúl Reyes", "número dois" e porta-voz internacional dessa organização, morreu em um bombardeio de tropas colombianas no dia 1º de março a um acampamento rebelde em território equatoriano.

Oito dias depois, Manuel Muñoz Ortiz, conhecido como "Ivan Ríos" ou "José Juvenal Velandia", foi assassinado por um de seus lugar-tenentes em uma zona rural do noroeste do país. EFE rrm/ma

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