Morre patriarca Alexis II, que fez a Igreja Ortodoxa russa renascer

O patriarca de Moscou e de todas as Rússias, Alexis II, chefe da maior Igreja Ortodoxa do mundo e artífice de seu renascimento após a queda da URSS, faleceu nesta sexta-feira, aos 79 anos, informaram as autoridades eclesiásticas.

AFP |

"O santo patriarca morreu em sua casa de Peredelkino, perto de Moscou, pela manhã", anunciou o chefe da assessoria de imprensa, Vladimir Viguilianski, sem dar mais detalhes.

Alexis morreu de forma inesperada, sem que a causa de sua morte fosse divulgada. De acordo com a agência estatal de notícias RIA Novosti, citando fontes eclesiásticas anônimas, ele teve um ataque cardíaco e não resistiu.

Um sínodo de urgência foi convocado para sábado, em Moscou, para organizar o funeral do patriarca, que será na próxima semana, em uma data ainda não determinada.

O sínodo também terá de deliberar sobre o sucessor de Alexis II. Segundo a tradição da Igreja ortodoxa, o órgão colegiado tem até seis meses para eleger um novo patriarca.

Após a notícia de seu falecimento, as principais autoridades da Rússia expressaram suas condolências rapidamente.

O primeiro-ministro e ex-presidente do país (2000-2008), Vladimir Putin, que contribuiu, junto com Alexis II, para restaurar a influência da Igreja Ortodoxa, considerou a morte como "acontecimento trágico" para o país.

"Era uma alma boa. É uma grande perda", declarou Putin.

De Nova Délhi, onde está em visita oficial, o presidente russo, Dimitri Medvedev, prestou homenagem a um "grande cidadão da Rússia", cujo "destino reflete as maiores provas do século XX".

Medvedev adiou uma visita à Itália, prevista para sábado, e era esperado ainda nesta sexta à noite, em Moscou.

No Vaticano, o papa Bento XVI se declarou "profundamente entristecido" e expressou seus pêsames em nome da Igreja Católica romana, cujas relações com os ortodoxos russos estiveram, durante muito tempo, marcadas pela desconfiança.

"Satisfaz-me lembrar dos esforços do último patriarca em favor do renascimento da Igreja", destacou o sumo pontífice, em mensagem dirigida ao sínodo da Igreja Ortodoxa russa, na qual também citou "a severa opressão ideológica" existente durante a época soviética.

Os sinos das 600 igrejas de Moscou dobraram para anunciar o falecimento do patriarca, chefe da Igreja Ortodoxa russa desde 1990, à qual, com o apoio do Kremlin, devolveu sua influência política e moral após 70 anos de ateísmo soviético.

Alexis II também contribuiu para a reunificação histórica de sua Igreja com os ortodoxos russos no exterior, em 15 de maio de 2007, pondo fim a 80 anos de um cisma que datava da Revolução Bolchevique de 1917.

"Estou consternado. Sinto um imenso respeito por ele", disse à agência Interfax o "pai" da Perestroika e ex-presidente soviético, Mikhail Gorbachov, referindo-se à tragédia.

Alexis II era muito respeitado pelos russos e estava bastante presente na vida política e nos meios de comunicação. Também oficiava todas as grandes liturgias na Catedral do Cristo Salvador de Moscou, freqüentemente na presença dos principais dirigentes do país.

Durante um longo período, o patriarca manteve um distanciamento em relação aos católicos, os quais acusava de "proselitismo" na Rússia. Negou-se, inclusive, a receber o falecido papa João Paulo II. Desde a chegada de Bento XVI ao pontificado, porém, as relações católico-ortodoxas parecem ter-se suavizado.

"Chegou à frente da Igreja em um momento de grandes mudanças e tentou protegê-la nessa época tumultuosa", avaliou Alexandre Verjovski, analista do centro Sova, especializado em questões religiosas.

"Foi criticado por ter-se oposto às mudanças. Era conservador, mas isso estava justificado por querer preservar a Igreja como instituição", disse o especialista, em entrevista à AFP.

Como possíveis sucessores de Alexis II, Verjovski citou o metropolita Kirill, "ministro das Relações Internacionais" do Patriarcado, e Kliment, metropolita de Kaluga e Borovsk.

bur/neo/tt

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