Fang Lizhi, 78 anos, foi acusado pela China de crimes revolucionários após a revolta de 1989 e viveu exilado nos EUA

Um dos dissidentes chineses mais famosos do grupo de ativistas pró-democracia da revolta de 1989 morreu no sábado nos Estados Unidos, segundo informações de dissidentes exilados.

Fang Lizhi, de 78 anos, que a China acusou de crimes revolucionários, morava em Tucson, onde era professor de física na Universidade do Arizona. Ele morreu de causas naturais, de acordo com um post no Twitter de Wu Renhua, um dissidente exilado, que mora nos Estados Unidos.

Leia também: Dissidente chinês ganha prêmio Nobel da Paz

Fang Lizhi, em foto da Universidade de Arizona, datada de 1999
AP
Fang Lizhi, em foto da Universidade de Arizona, datada de 1999

O dissidente exilado Wang Dan, que era o primeiro de uma lista de 21 mais procurados líderes estudantis nos tempos em que o Exército chinês esmagou manifestações pró-democracia na Praça da Paz Celestial, no centro de Pequim, em 4 de junho de 1989, confirmou a notícia em seu Twitter, depois de falar com a esposa de Fang, Li Shuxian.

"No momento, não existem palavras para expressar a minha tristeza", escreveu Wang. "Fang Lizhi inspirou a geração de 89 e despertou os anseios do povo por democracia e direitos humanos."

Fang e sua esposa procuraram refúgio na embaixada dos EUA em Pequim um ano depois da repressão do Exército chinês. A China então os acusou de crimes contrarrevolucionários, o equivalente à traição.

Fang não teve nenhum papel público nos protestos, mas resolveu buscar abrigo, depois que partidários pró-governo queimaram retratos dele.

Em junho de 1990, como um favor para Washington, Pequim permitiu que Fang saísse da China para receber tratamento médico no exterior. A China disse que o casal tinha mostrado "sinais de arrependimento."

Fang nunca mais voltou ao seu país. Ele trabalhou vigorosamente para que os países do Ocidente mantivessem a pressão sobre o governo chinês para que ele respeitasse os direitos humanos e permitisse dissidências.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.