Morre Juan Bustos, ícone anti-Pinochet

SANTIAGO (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados do Chile, Juan Bustos, conhecido pela defesa dos direitos humanos e por denunciar os abusos da ditadura de Augusto Pinochet, morreu em um hospital de Santiago na quinta-feira, depois de uma luta contra o câncer de fígado. Bustos, importante professor de direito e membro do partido socialista, havia sido eleito presidente da Câmara neste ano. Ele tinha 72 anos.

Reuters |

'A presidente declarou três dias de luto nacional', disse o porta-voz chefe do governo, Francisco Vidal. 'Em uma palavra, hoje um homem bom nos deixou, um homem muito bom.'

Mais do que seu trabalho no Congresso, Bustos, pai de sete filhos, era conhecido por sua contribuição como um dos advogados de defesa dos direitos humanos mais importantes do Chile.

Antes de se tornar parlamentar, em 1998, ele representou as famílias das pessoas assassinadas durante a ditadura de Pinochet (1973-1990), quando mais de 3 mil pessoas desapareceram e dezenas de milhares foram presas e torturadas.

Bustos representou a família do ex-ministro das Relações Exteriores Orlando Letelier, opositor de Pinochet que foi morto por um carro-bomba em Washington, em 1976. O assassinato foi relacionado a autoridades militares do setor de inteligência do governo de Pinochet.

Bustos morreu sem ter o apoio do Congresso para sua proposta de criar um instituto de direitos humanos para investigar o destino das milhares de pessoas desaparecidas durante a ditadura.

(Reportagem de Antonio de la Jara)

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