Morre Juan Almeida, o terceiro na linha da sucessão em Cuba

Havana, 12 set (EFE).- A revolução cubana perdeu ontem à noite Juan Almeida, um dos históricos combatentes que ao lado de Fidel e Raúl Castro ocupou durante décadas alguns dos mais altos cargos no Estado e no Partido Comunista.

EFE |

Aos 82 anos, Almeida morreu em consequência de uma parada cardiorrespiratória, conforme o comunicado do Partido Comunista distribuído à imprensa.

Os jornais "Granma" e "Juventud Rebelde", únicos editados na ilha, circularam hoje impressos com uma tarja preta simbolizando luto e com a manchete dedicada ao homem que nunca se separou de Fidel e era considerado o fiel entre os fiéis.

Por ordem do Governo, o país estará de luto oficial no domingo das 8h às 20h, mas neste sábado já era possível ver bandeiras hasteadas a meio mastro.

Diversos nomes do regime expressaram pesar com o falecimento de Almeida ao longo do dia.

O ministro cubano de Cultura, Abel Prieto, disse à Agência Efe "que está é sem dúvida nenhuma uma grande baixa, a perda de uma das figuras mais importantes da revolução".

Ricardo Alarcón, presidente da Assembleia Nacional, lembrou "que Almeida foi soldado no combate revolucionário desde o primeiro momento, um dos principais artífices da revolução".

Membro do birô político do Partido Comunista (único na ilha) e vice-presidente do Conselho de Estado, Almeida era considerado o número três na hierarquia revolucionária do país.

Teoricamente, ele era apontado como o próximo na linha sucessória, após Fidel e Raúl.

Com seu inseparável uniforme verde-oliva, o comandante Almeida foi sempre um homem discreto, afastado das atenções da mídia. Os analistas, entretanto, sustentam que ele teve grande influência no papel mediador dentro do regime.

Um observador ouvido pela Efe disse que Almeida era muito respeitado tanto por Fidel como por seu irmão Raúl - presidente do Conselho de Estado e de Ministros desde fevereiro de 2008, após a doença do primeiro -, e em mais de uma ocasião foi decisivo para recompor a paz nas desavenças entre os irmãos Castro.

Nos últimos anos, ele aparecia em público para receber embaixadores credenciados em Havana.

A imprensa oficial lembrou, neste sábado, sua origem humilde como pedreiro, segundo filho de uma família de 12 irmãos, que aderiu à luta revolucionária em 1952, e cinco anos depois já estava na linha de frente da Revolução.

É atribuída a Almeida a frase "Aqui ninguém se rende", que ele supostamente teria dito quando os guerrilheiros cubanos estavam morrendo nas montanhas de Sierra Maestra pouco depois do desembarque em 1956, para lutar contra o regime de Fulgencio Batista.

O livro "Cem horas com Fidel", de Ignacio Ramonet, traz palavras de reconhecimento de Fidel para Almeida. "Ele está na lista de homens incapazes de trair a revolução e um dos que viveram tempos difíceis sem jamais fraquejar", disse Fidel.

Se Almeida não fraquejou, seu filho sucumbiu. Nos últimos anos, Juan Juan Almeida distanciou-se do regime e em maio passado foi detido ao tentar abandonar ilegalmente a ilha para ir morar com sua família nos Estados Unidos.

Além da atuação política, Almeida se destacou como compositor, com mais de 300 canções, algumas das quais integram o acervo popular cubano, como "La Lupe", "Dame un traguito" e "Qué le pasa a esa mujer".

O comandante Almeida pediu que seu corpo não fosse exposto ao público. Por isso, o Governo cubano pediu ao povo que preste suas condolências no domingo, na Praça da Revolução. EFE arj-fjo/dm

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