Morre Jörg Haider, um modelo para a nova extrema-direita austríaca

Viena, 11 out (EFE).- O controvertido e carismático populista de direita Jörg Haider, que morreu hoje em um acidente de trânsito, foi um dos políticos austríacos mais bem-sucedidos e um modelo para toda a extrema-direita européia.

EFE |

Haider, que perdeu a vida aos 58 anos, se tornou conhecido na Europa por sua demagogia populista de ares xenófobos e sua ambigüidade a respeito do nacional-socialismo, apesar de nos últimos anos ter moderado seu discurso para atrair os eleitores democratas-cristãos.

Sua entrada no Governo austríaco em 2000, liderado pelo conservador Wolfgang Schüssel, desencadeou uma medida única de 14 membros da União Européia (UE): congelar durante oito meses os contatos bilaterais com um de parceiros de bloco.

A morte de Haider acontece no momento em que ele tinha voltado ao primeiro plano da política nacional, quando, liderando a Aliança pelo Futuro da Áustria (BZÖ), triplicou o número de cadeiras do partido no Parlamento e conquistou mais de 10% dos votos nas eleições de setembro.

Desde 1999 ele governava estado federado da Caríntia (sul da Áustria), onde contava com um apoio de aproximadamente 45% da população.

No entanto, sua ascensão política se deve também ao Partido Liberal da Áustria (FPÖ), do qual assumiu a chefia em 1986 e que, em 1999, com quase 27% dos votos, conquistou o melhor resultado de sua história, diante do estupor de toda a Europa.

Casado e pai de duas filhas, Haider nasceu em uma família modesta na localidade de Bad Goisern, no Estado da Alta Áustria.

Seu pai, um sapateiro, militou nas tropas de assalto nazistas (SA), uma organização paramilitar, e sua mãe foi uma das líderes locais do Partido Nacional Socialista.

Entre 1969 e 1973, Haider cursou Direito e se graduou pela Universidade de Viena, onde iniciou também sua militância no FPÖ, que na época era uma legenda liberal de pouca importância no país.

Com sua escolha em 1986 como presidente do partido, Haider mudou a linha política da legenda e iniciou uma carreira de ascensão, favorecida pelo trabalho na oposição contra os repetidos Governos da grande coalizão entre democratas-cristãos e social-democratas que dominou a política austríaca por vários anos.

Com o FPÖ, conquistou grande parte do voto operário, tradicionalmente fiel aos social-democratas. Para isso, adotou uma campanha xenófoba que aproveitou os temores a uma imigração em massa procedente dos países do Leste da Europa.

Em sua busca pelo poder, também prometeu em sua campanha defender as "raízes austríacas" contra o perigo da "islamização" da sociedade.

Além disso, criou um novo modelo de política ultradireitista que influenciou o resto do continente: Haider era fotogênico, dinâmico e ambíguo, capaz de falar sobre as posturas mais duras de suas idéias de uma maneira suave.

Com esta calculada ambivalência e com a intenção de "defender o homem da rua dos excessos do capitalismo" (apesar de ele mesmo ter sido um fazendeiro milionário na Caríntia), conseguiu renovar as bases da extrema-direita, que já não sobrevive mais graças a velhos nostálgicos do nazismo, mas a muitos jovens austríacos.

Mas não foi o populismo de Haider que escandalizou a política internacional, e sim seus constantes flertes com os simpatizantes neonazistas e os nostálgicos do Terceiro Reich.

Na década passada, disse que "o Terceiro Reich praticou uma política de ocupação correta" e qualificou como "centros penais" os campos de concentração nazistas, o que gerou ondas de indignação em todo o mundo.

Em 1995, durante um discurso em uma reunião de veteranos da sanguinária SS na Caríntia, Haider afirmou que "é bom que neste mundo ainda existam pessoas decentes, de caráter, que defendem suas convicções e que se mantiveram até hoje fiéis a elas, apesar de ter os mais fortes ventos contra".

No ano de 2005, criou o BZÖ, partido que conseguiu levar à quarta posição nas eleições parlamentares de setembro, com 10,7% dos votos.

Com o BZÖ, adotou um tom mais moderado para atrair votos conservadores, mas mesmo assim tinha deixado claro que desejava uma "Áustria para os austríacos", e defendeu a expansão ao resto do país da proibição de construir mesquitas e minaretes, o que já está em vigor na Caríntia.

"Temos de proteger nossos valores, a cultura majoritária e nossas tradições da crescente islamização", argumentou um sorridente Haider em milhares de cartazes eleitorais nas últimas eleições. EFE ll/mh

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