Por Charles Aldinger WASHINGTON (Reuters) - O ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos Robert McNamara morreu nesta segunda-feira aos 93 anos. Ele será lembrado acima de tudo por ter sido o arquiteto principal do envolvimento dos EUA na Guerra do Vietnã.

"Ele foi acometido pela idade", disse sua mulher à Reuters. "Não estava doente. Morreu tranquilamente enquanto dormia."

McNamara também seguiu carreira brilhante na indústria e nas finanças internacionais, mas seu legado doloroso é o Vietnã.

Mais do que qualquer outra pessoa, com exceção possivelmente do presidente Lyndon Johnson, McNamara se tornou para os críticos da guerra o símbolo de uma política falida que deixou mais de 58.000 soldados norte-americanos mortos e a nação atolada em um desastre que parecia não ter fim no Sudeste Asiático.

Especialistas passaram a chamar o conflito de "a Guerra de McNamara".

Com seu cabelo alisado para trás e óculos sem aro, ele se tornou um rosto familiar para os EUA, como um dos "melhores e mais brilhantes" assessores reunidos pelo presidente John Kennedy para formar sua elite no planejamento das políticas do país.

Mas ele deixou o governo em 1968, sob pressão de Johnson. Desiludido com a guerra, McNamara havia criticado os bombardeios norte-americanos no Vietnã do Norte.

Ele passou o resto de sua vida tentando explicar o papel dos EUA no Vietnã e se desculpando por seus erros, o que resultou na concessão de um Oscar a um documentário sobre sua participação no conflito, intitulado "Sob a Névoa da Guerra". No filme, ele discute o difícil processo de tomada de decisões durante o conflito no Vietnã, bem como o papel do Pentágono na crise dos mísseis, com Cuba.

McNamara foi nomeado secretário de Defesa por Kennedy em 1961 e manteve o posto por mais tempo do qualquer outro até então. Ele usou suas habilidades do setor corporativo para tentar modernizar o Pentágono durante a guerra fria.

Mas, acima de tudo, o Vietnã se tornou seu foco. Ele fez várias visitas à região para avaliação nos primeiros dias do envolvimento militar dos EUA, que o governo norte-americano via como o único meio de impedir que o Sudeste Asiático caísse em mãos dos comunistas.

No livro "The Making of the President 1968" Theodore White disse que McNamara argumentava nos bastidores que os EUA não deviam entrar na guerra na surdina -- , mas a decisão deveria ser levada ao Congresso e debatida abertamente.

Robert Strange McNamara nasceu em San Francisco em 9 de junho de 1916, filho de um vendedor de sapatos. Estudante brilhante, formou-se na Universidade da Califórnia em 1937 e obteve um mestrado na Harvard Business.

Ao se aposentar do Banco Mundial, em 1981, McNamara manteve um escritório em Washington, onde passou a integrar dezenas de conselhos de empresas, incluindo o do jornal Washington Post. Também era membro da Comissão Trilateral, que promove cooperação entre Europa, Japão e EUA.

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