Morre aos 82 anos o ex-presidente italiano Francesco Cossiga

Senador vitalício morreu em hospital de Roma, onde estava internado desde 9 de agosto por problema cardiorrespiratório

EFE |

AP
Foto de 16 de maio de 2006 mostra ex-presidente italiano Francesco Cossiga no Palácio Presidencial de Quirinale, em Roma
O ex-presidente da República italiana (1985-1992) e senador vitalício Francesco Cossiga morreu nesta terça-feira, aos 82 anos, no hospital Agostino Gemelli, em Roma, onde estava internado desde 9 de agosto.

Cossiga foi hospitalizado por uma leve insuficiência cardiorrespiratória, mas suas condições pioraram nos dias seguintes e ele faleceu às 13h18 locais (8h18, no horário de Brasília) por causa de uma crise cardiocirculatória, informou o hospital.

Durante sua hospitalização, o ex-presidente recebeu a visita de muitas figuras políticas e do atual presidente da República, Giorgio Napolitano, enquanto o Vaticano enviou o monsenhor Rino Fisichella para representar o papa Bento 16.

Depois de receber a notícia de sua morte, os máximos cargos institucionais do país estão suspendendo suas férias para ir a Roma, onde deve ser realizado o funeral de Estado que corresponde aos presidentes da República.

O democrata-cristão nasceu em Sassari, na ilha de Sardenha, em 26 de julho de 1928, e começou sua carreira política em 1958 como deputado pela Democracia Cristã (DC), de centro. Ele foi eleito em 1985 o oitavo presidente da República italiana com 57 anos, tornando-se o político mais jovem a ocupar o cargo.

Além disso, Cossiga foi primeiro-ministro de 1979 a 1980 e ocupou o Ministério de Interior de 1976 a 1978, ano em que renunciou após o assassinato por parte das Brigadas Vermelhas do líder democrata-cristão Aldo Moro.

O ministro dos Transportes e de Infraestrutura italiano, Altero Matteoli, destacou que Cossiga foi "um político de grande calibre e um chefe de Estado que soube antecipar a mudança".

Seus históricos adversários também o definiram como um "inimigo duro, mas leal", como reconheceu o secretário do Partido dos Comunistas Italianos (PDCI), Oliviero Diliberto, que o qualificou de "um anticomunista convencido, mas que sempre nos respeitou".

"Com ele tivemos momentos de enfrentamento e conflitos, mas vividos com respeito recíproco e lealdade. Nestes últimos anos, uma grande amizade nos uniu, pela qual sou muito agradecido", afirmou o ex-primeiro-ministro e membro do progressista Partido Democrata (PD), Massimo D'Alema.

Repercussão

O papa Bento 16 ficou "profundamente entristecido" e se recolheu em oração após ser informado da morte de Cossiga, segundo a Rádio Vaticana Fontes da Santa Sé lembraram os laços entre os dois e reportaram à imprensa italiana que o líder máximo da Igreja Católica assegurou "proximidade à família" do ex-chefe de Estado.

"Acolho com dor a notícia do falecimento de Francesco Cossiga. Foi um grande protagonista da vida democrática do nosso país", recordou o ex-premiê Massimo D'Alema (1998-2000). "Com ele, tivemos momentos de encontro assim como de ásperos conflitos, vividos sempre com respeito recíproco e lealdade. Nesses últimos anos, nos uniu uma intensa amizade, da qual lhe serei sempre grato", acrescentou o também ex-chanceler.

O ministro de Justiça italiana, Angelino Alfano, afirmou que a morte de Cossiga é a perda de "uma figura insubstituível da classe política italiana e um pedaço importante da história republicana" do país. De acordo com Alfano, o senador vitalício foi "testemunha e protagonista ativo" por mais de 60 anos do "crescimento político e social" da Itália, ao qual teria contribuído "vivamente com palavras e fatos".

"Foi por toda a vida rebelde pelo amor à liberdade. Com ele se apaga a luz mais alta do catolicismo político europeu", afirmou o ministro de Atuação do Programa de Governo, Gianfranco Rotondi.

"Estou verdadeiramente triste com a morte do presidente [emérito] Francesco Cossiga, homem político de grande expressão e [ex] chefe de Estado visionário que soube antecipar as mudanças", completou o titular das Infraestruturas e Transportes, Altero Matteoli, prestando condolências à família.

*Com EFE e Ansa

    Leia tudo sobre: itáliaFrancesco Cossiga

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG