Morre a viúva do ex-presidente francês François Mitterrand

Aos 87 anos, a ativista e ex-primeira-dama Danielle Mitterrand faleceu em Paris em decorrência de problemas respiratórios

iG São Paulo |

AP
Foto datada de 2006 mostra Danielle Mitterrand, viúva do ex-presidente François Mitterrand, sorrindo em Paris
A ex-primeira dama francesa Danielle Mitterrand, viúva do ex-presidente François Mitterrand (1981 - 1995) e ativista dos direitos humanos, morreu na madrugada desta terça-feira, aos 87 anos, segundo fontes do governo e do Partido Socialista.

Danielle, que passou 51 anos casada com Mitterrand, sofria de problemas respiratórios e estava em coma induzido no hospital Georges Pompidou, em Paris, onde morreu às 2h no horário local (23h de segunda-feira em Brasília).

Ela abraçou com estridência a defesa de minorias como os curdos e tibetanos, atuou por uma distribuição mais justa dos recursos globais, e foi amiga do ex-presidente cubano Fidel Castro (1976 - 2008). Seu ativismo explícito causou alguns constrangimentos ao marido.

Em 1989, provocou mal estar com Pequim quando recebeu, na sede da fundação em Paris, o Dalai Lama, chefe espiritual dos tibetanos. Em 1990 desistiu, no último instante, de viajar aos campos de refugiados saharauís em Tinduf, na Argélia, depois que o governo de Marrocos protestou formalmente.

"Minha condição de esposa do presidente me coloca em uma posição onde escuto inúmeros chamados de homens e mulheres oprimidos", explicava. "Meu objetivo é claro: um mundo mais justo", afirmou em outubro nos 25 anos de sua fundação.

Também visitou diversas vezes o Brasil, onde possui uma fundação com seu nome, e sempre esteve envolvida em causas ligadas ao meio ambiente e em defesa das questões sociais.

Danielle Mitterrand viajou muitas vezes a Cuba para impulsionar projetos de cooperação, sobretudo os relacionados com o meio ambiente.

Decidiu apoiar o presidente boliviano Evo Morales em 2007 no debate sobre uma nova Constituição contra líderes separatistas daquele país.

Nascida Danielle Gouze, em 29 de outubro de 1924, em Verdun, perto da fronteira com a Alemanha. Era filha de um diretor de escola - destituído do cargo pelo governo colaboracionista de Vichy por não denunciar seus alunos judeus - e de uma professora, ambos militantes socialistas. Ela foi politicamente ativa desde a juventude, e aos 17 anos aderiu à Resistência antinazista, onde conheceu Mitterrand. Na época, o futuro presidente comandava a rede da resistência na Borgonha, sob o codinome de "François Morland".

François e Danielle se casaram em 27 de outubro de 1944, e Mitterrand então se lançou na carreira política pelo Partido Socialista, sempre com Danielle ao lado, até chegar à presidência, em 1981.

Além de se envolver em campanhas internacionais, Danielle costumava comentar a política interna, criticando abertamente o primeiro-ministro conservador Jacques Chirac, e posteriormente as políticas de imigração do ministro do Interior Charles Pasqua.

Quando Mitterrand morreu, em 1996, Danielle causou frisson ao comparecer ao funeral ao lado da amante dele, Anne Pingeot, com quem o presidente tivera uma filha, Mazarine.

Leia também: Franceses questionam se segredos de seus políticos devem ficar guardados

Danielle Mitterrand se desligou do Partido Socialista nos últimos anos, depois de afirmar em 2007 que "os líderes socialistas não tem fibra socialista". Era autora de vários livros, entre os quais o best-seller En toutes libertés (Em total liberdade) (1996) e Le livre de ma mémoire (O livro da memória) (2007).

Nos últimos anos, apesar da sua saúde debilitada, não poupou tempo para a militância: "Isso me mantém acordada. Depois de uma certa idade você dorme muito e eu não quero morrer pouco a pouco".

Danielle deixa dois filhos, Jean-Christophe e Gilbert. Um terceiro, Pascal, morreu ainda bebê.


Com AFP e Reuters

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