Moratinos promete em Bruxelas uma Presidência favorável à UE

Bruxelas, 18 dez (EFE).- A Espanha prometeu hoje em Bruxelas que sua Presidência rotativa da União Europeia (UE), que começa em 1º de janeiro, será uma Presidência favorável a região, mas sem tentar competir com os novos altos cargos comunitários que lideram a UE surgida do Tratado de Lisboa.

EFE |

"Não haverá concorrência, mas coordenação, complementaridade e apoio a estas novas instituições e personalidades", afirmou o ministro espanhol de Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, ao apresentar os objetivos do semestre no Conselho da UE.

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e a nova alta representante de Política Externa, Catherine Ashton, já estiveram em Madri nas últimas semanas para preparar o semestre espanhol com o presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero.

Moratinos ressaltou hoje que são Van Rompuy e Ashton a quem correspondem "impulsionar à União Europeia" neste período, embora tenha lembrado que a Presidência espanhola "não vai renunciar de suas responsabilidades".

O ministro tentou despejar assim qualquer possível suspeita sobre que a Presidência espanhola - que deve prosseguir a aplicação e iniciar progressivamente as novidades do Tratado de Lisboa - pudesse tentar ofuscar os dirigentes comunitários para ganhar maior visibilidade.

A continuidade da aplicação do Tratado e a recuperação da economia serão os principais eixos do período espanhol à frente da União, junto com o impulso ao papel da UE no mundo e o desenvolvimento da cidadania europeia.

A Presidência foi preparada com "sentido histórico do momento no qual vive a União Europeia", recapitulou Moratinos, ao detalhar diante da imprensa internacional as prioridades temáticas para o período.

Assim, o ministro lembrou que durante o próximo semestre devem aprovar os detalhes concretos do Serviço Europeu de Ação Exterior, o futuro corpo diplomático da UE.

Também haverá cúpulas, entre outros países, com os EUA, Rússia, Marrocos (a primeira deste tipo) e a região da América Latina e o Caribe, uma reunião que ocorrerá em maio em Madri e que será "um momento importante" para a Presidência espanhola, segundo Moratinos.

Em ampliação, podem ser concluídas as negociações com a Croácia e se espera o início das da Islândia, assim como prosseguem as da Turquia, enquanto não se descarta que a Sérvia possa solicitar formalmente sua entrada na União.

Em economia, a Espanha quer que os próximos seis meses sirvam para acelerar a saída da crise, para o que se quer "avançar o máximo possível" na coordenação das políticas econômicas dos 27, disse o ministro espanhol.

Também está previsto concluir o processo de aprovação no Parlamento Europeu (PE) do conjunto de medidas já aprovadas no Conselho sobre a nova estrutura de supervisão financeira comunitária, que procura prevenir as causas da recente crise dos mercados financeiros.

O sistema está "praticamente finalizado" e caberá à Presidência espanhola aplicá-lo para obter os "resultados desejados", assinalou Moratinos.

Além disso, disse que se desenvolverá a chamada "estratégia 2020" para programar medidas que aumentem nos próximos dez anos a competitividade e a inovação da economia europeia.

Em questões sociais, a Espanha quer desenvolver a agenda de igualdade, especialmente estendendo a toda a UE à luta para combater a violência contra a mulher e no desenvolvimento de novas medidas sobre imigração que ajudem também aos países de origem.

O objetivo é que os cidadãos comunitários sintam que avançam "em suas liberdades, em seus níveis de proteção social", destacou o ministro espanhol de Exteriores. EFE rcf/dm

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