Morales volta a passeata por nova Constituição boliviana

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, voltou a liderar, desta vez na cidade de El Alto, uma passeata que chega hoje a La Paz para exigir que o Congresso aprove o referendo sobre a nova Constituição.

EFE |

La Paz enfrenta hoje uma situação de colapso, já que as dezenas de milhares de manifestantes entrarão por vários pontos da cidade.

A passeata começou há sete dias na cidade de Caracollo e percorreu 200 quilômetros até chegar a El Alto com a participação de milhares de membros de sindicatos de operários, camponeses e agrupamentos indígenas de várias regiões da Bolívia.

"São sete dias de passeata pacífica para convencer um grupo minoritário que quer impor sua vontade sobre o povo boliviano", disse hoje Morales, que se juntou à manifestação às 6h horas locais (8h de Brasília).

Os manifestantes exigem que a oposição no Congresso respalde uma lei de convocação de um referendo sobre o projeto de nova Constituição aprovado no ano passado pela Assembléia Constituinte.


Milhares de governistas marcham em direção a La Paz / AP

Os líderes sindicais bolivianos que participam da marcha ameaçaram fechar o Congresso se os parlamentares não aprovarem a convocação do referendo constitucional até o meio-dia (14h em Brasília).

Os secretários-executivos da Confederação Sindical de Colonizadores da Bolívia, Fidel Surco, e da Central Operária Boliviana, Pedro Montes, fizeram essa advertência em declarações ao lado de Morales durante a marcha.

"Eles têm que aprovar a lei até o meio-dia, caso contrário vamos fechar o Congresso. Que isso fique claro, já é uma posição de todos os movimentos sociais", ameaçava Surco, em uma entrevista coletiva improvisada durante a passeata em El Alto.

Durante o final de semana, o partido de Morales, Movimento ao Socialismo (MAS), e a oposição instalaram uma sessão no Congresso que foi suspensa várias vezes por falta de acordo para introduzir reformas no projeto constitucional e aprovar a lei do referendo.

"Chantagem"

Morales denunciou aos jornalistas que "grupos minoritários" da oposição estão "chantageando o povo boliviano" porque condicionaram a aprovação da lei do referendo a que todos os parlamentares completem seu mandato até 2011.

O presidente boliviano propôs antecipar as eleições gerais para julho de 2009 de forma que em agosto pudesse se iniciar um novo período constitucional.

"A bancada do MAS está disposta a encurtar seu mandato, apesar de ter sido ratificada com 67%, mas os grupos que foram derrotados não querem encurtar seu mandato. É muito grave e esperamos uma profunda reflexão", declarou o chefe de Estado.

Sobre a antecipação das eleições e o encurtamento de mandatos, a oposição argumentou ontem que sua denúncia se refere à reeleição presidencial criada na nova Constituição e com a qual Morales pretende se perpetuar no poder.

O presidente boliviano disse hoje que o projeto constitucional "melhorou bastante" e acusou os parlamentares oposicionistas de não contribuir para garantir as "autonomias" reivindicadas por vários departamentos com sua decisão de não encurtar seu mandato.

A sessão do Congresso, que acontece sob observação de delegados de organizações internacionais, está prevista para ser retomada nas próximas horas para a continuação dos debates entre o Governo e a oposição.

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