Morales vai propor referendo regional sobre acordo entre Colômbia e EUA

La Paz, 26 ago (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou hoje que vai propor aos países da União de Nações Sul-americanas (Unasul) a realização de um referendo regional para que os povos da América Latina tomem uma decisão sobre o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos.

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"Se o presidente colombiano (Álvaro Uribe) não quer retirar as bases militares da Colômbia, por que não fazer um referendo da América do Sul? Que os povos decidam e que o império não imponha essas bases militares na América do Sul", disse Morales no departamento (estado) boliviano de Oruro.

Morales afirmou que fará esta proposta durante a cúpula da Unasul programada para esta sexta-feira em Bariloche, Argentina, cujo principal assunto em debate será justamente o acordo pelo qual militares americanos poderão usar bases colombianas em operações contra a guerrilha e o tráfico de drogas.

A Bolívia já rejeitou a presença de forças militares estrangeiras na região durante a cúpula de presidentes da Unasul realizada no último dia 10 em Quito, onde também tentou sem sucesso convencer os outros 11 países-membros - entre eles o Brasil - a aprovarem uma resolução para proibir este tipo de ação.

"(O referendo) será uma democracia continental. Os povos dirão qual presidente está errado e qual presidente tem razão", sustentou Morales.

O presidente boliviano afirmou que, atualmente, as bases militares americanas na América Latina "se concentram na Colômbia", o que considerou como "uma provocação do império para criar conflito entre os presidentes da América do Sul" com o objetivo de frear a integração almejada pela Unasul.

O Governo colombiano deixou claro que o acordo não prevê a instalação de bases americanas na Colômbia, mas a permissão para que forças dos EUA possam usar bases colombianas e sob comando colombiano.

Além disso, como informou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o Governo colombiano vai dar garantias de que o uso compartilhado dessas bases não significa a realização de operações em outros países.

Morales ressaltou, no entanto, que "esta classe de políticas de intervenção militar na América do Sul" cria conflitos e "desconfiança" entre presidentes.

Na segunda-feira passada, o presidente da Bolívia também falou sobre o assunto das bases, mas apontou que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) também são responsáveis pela presença dos EUA em território colombiano.

"As Farc parecem ser o melhor instrumento do império e, com esse pretexto, os militares dos EUA vêm à Colômbia", opinou o governante boliviano.

Assim como a Bolívia, Venezuela e Equador se opõem ao acordo entre Colômbia e EUA, enquanto outros países da região manifestaram sua preocupação, mas também seu respeito à soberania das decisões colombianas. EFE gb/bba

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