Morales teme que ataques indiquem violência eleitoral na Bolívia

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, alertou que os dois atentados com explosivos em La Paz, que deixaram sete feridos, poderiam ser o sinal de uma onda de violência na campanha eleitoral que se inicia, informou nesta quinta-feira a agência estatal de notícias, a Agência Boliviana de Informação (ABI).

Reuters |

As explosões sucessivas na quarta-feira de dois artefatos descritos pela polícia como "envelopes-bomba" surpreenderam políticos governistas e opositores, que correm contra o tempo para definir as candidaturas para as eleições gerais de dezembro.

Morales lançou formalmente sua candidatura à reeleição na terça-feira pelo governista Movimento ao Socialismo, mantendo como vice-presidente Alvaro García. Horas depois dos atentados, ele disse que estes fatos seriam obra da oposição direitista.

"Suspeito que a direita, os neoliberais, a oposição começa sua campanha com bombas," disse o presidente, segundo a ABI. Primeiro indígena a ocupar a presidência da Bolívia, Morales é aliado do líder venezuelano, Hugo Chávez.

"Eu disse muitas vezes: cuidem-se, cuidemo-nos. E quero reiterar publicamente aos dirigentes que apostam nas transformações profundas, como também aos ministros, vice-ministros: vocês têm de se cuidar," acrescentou.

Depois de desarticular um suposto grupo terrorista e separatista em abril, o governo acusou setores radicais da oposição com base no departamento de Santa Cruz, no leste do país, de planejarem o assassinato de Morales. A promotoria não apresentou até agora, no entanto, uma acusação definitiva contra os detidos na ocasião, um húngaro e um boliviano.

Embora a mídia local tenha informado que os policiais investigavam se haveria uma conexão entre os atentados de quarta-feira e o grupo de Santa Cruz, o vice-ministro do Interior, Marcos Farfán, disse com cautela que por ora "nada se pode descartar... todas as hipóteses são válidas."

Farfán alertou que em princípio não é possível nem sequer confirmar uma conexão entre as duas explosões, apesar de nas duas os atacantes terem utilizado "envelopes-bomba" entregues por supostos empregados do correio estatal.

A primeira explosão ocorreu ao meio-dia de quarta-feira em uma construtora privada no centro da capital e deixou gravemente feridos dois bombeiros que foram ao local, após receberem denúncia de carta-bomba.

O segundo atentado foi em uma cooperativa de transportes no populoso bairro Villa Fátima, na periferia da cidade. A carta-bomba tinha como destinatário Fidel Surco, presidente do Conselho Nacional pela Mudança, entidade que aglutina organizações sindicais, de camponeses e regionais, pró-governamentais.

Testemunhas disseram que a carta explodiu quando a mulher de Surco, Arminda Colque, tentou abri-la.

A mulher perdeu três dedos de uma mão e sofreu várias fraturas e queimaduras, mas está fora de perigo, disse o ministro da Saúde, Ramiro Tapia.

Quatro homens atingidos nessa segunda explosão estão internados, mas seu estado é menos grave, disse Tapia.

    Leia tudo sobre: morales

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG