Morales sofre derrota ao perder departamento de Chuquisaca para a oposição

Sucre (Bolívia), 29 jun (EFE).- A camponesa indígena de etnia quíchua Savina Cuéllar, candidata da oposição na disputa pelo Governo do departamento (estado) boliviano de Chuquisaca, venceu seu principal oponente no pleito, o governista Wálter Valda, segundo as pesquisas de boca-de-urna divulgadas por meios de comunicação locais.

EFE |

As sondagens divulgadas pelas redes de TV "ATB", "PAT" e "Unitel" indicam que Cuéllar recebeu entre 55% e 60% dos votos.

Já Valda obteve o apoio de entre 36% e 40% dos eleitores do departamento, que foram às urnas temendo episódios violentos entre grupos governistas e opositores.

No entanto, o pleito transcorreu sem maiores incidentes, até às 16h (17h de Brasília), quando as autoridades eleitorais ordenaram o fechamento das seções devido às "oito horas contínuas" de votação previstas na lei boliviana.

Os persistentes rumores da chegada a Chuquisaca de cocaleiros favoráveis ao presidente Evo Morales e de jovens radicais autonomistas do departamento vizinho de Santa Cruz marcaram as primeiras horas deste dia de eleição, durante o qual autoridades e candidatos pediram que a população não entrasse em confronto.

O único fato que poderia romper a tranqüilidade do dia foi a detenção, nesta manhã, de três jovens estudantes que estavam no centro de Sucre, a capital do departamento, com pelo menos 27 bananas de dinamite.

O vice-ministro do Interior, Rubén Gamarra, parabenizou a Polícia pelas detenções, já que, segundo disse, os universitários planejavam provocar "mortes".

"Eles queriam gerar violência buscando mortes, porque não podem buscar outra coisa", acrescentou Gamarra em uma entrevista coletiva em Sucre.

O vice-ministro também acusou os líderes do principal partido da oposição, o Poder Democrático e Social (Podemos), de procurar a Promotoria para defender os jovens.

Outro incidente havia sido registrado ontem, quando um incêndio atingiu o morro em que ficam instaladas as antenas de TV locais, o que provocou uma queda nos sinais e a interrupção passageira das transmissões.

Os canais, tanto o estatal como os privados, denunciaram um atentado. No entanto, a Polícia não pôde confirmar tal hipótese e se limitou a anunciar a abertura de uma investigação.

A eleição de hoje teve que ser antecipada por causa da fuga para o Peru do governador anterior, o governista David Sánchez, durante os confrontos de novembro nos quais foram três pessoas morreram pelo menos 300 ficaram feridas.

Na ocasião, os habitantes de Sucre protagonizaram um violento protesto contra a Assembléia Constituinte, que tinha excluído de sua agenda o debate sobre a transferência dos poderes Executivo e Legislativo de La Paz para a cidade, sede do Poder Judiciário.

A mobilização para que Sucre volte a ser sede da Presidência e do Congresso e a autonomia departamental foram os principais temas de campanha.

O tempo inteiro, o Governo disse que Cuéllar pretende incluir Chuquisaca no bloco autonomista liderado pelo departamento de Santa Cruz.

Nos últimos meses, os opositores desafiaram o Governo aprovando as autonomias de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, em referendos classificados pelo Executivo como ilegais e separatistas.

As mesas em Chuquisaca abriram hoje às 8h (9h de Brasília), após um ato oficial no qual a Corte Departamental Eleitoral denunciou que a televisão estatal e um canal local opositor desrespeitaram a normativa que proíbe a veiculação de propaganda política nos três dias anteriores à eleição.

Cuéllar, que era favorita nas pesquisas, votou em um bairro de Sucre por volta das 10h15 da manhã (11h15 de Brasília), confiante em sua vitória.

A indígena, que participou da Assembléia Constituinte pelo governista Movimento ao Socialismo (MAS), lembrou que o presidente Morales prometeu respeitar os resultados deste domingo.

Disse ainda que, como mulher, sabe como conduzir sua família e seu lar, tem experiência no campo e, assim, também conseguirá dirigir com determinação o Governo de Chuquisaca.

Por sua vez, Valda votou na seção instalada no aeroporto por volta das 11h (12h de Brasília).

"De modo geral, acho que até agora a votação é pacífica e acho que deve continuar assim. Para o bem da democracia e de Chuquisaca, devemos continuar assim", comentou Valda à imprensa.

"Desejamos muito que este dia democrático realmente seja uma festa", acrescentou. EFE az/bm/sc

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