Morales renuncia à segunda reeleição em troca de acordo

LA PAZ - O presidente boliviano, Evo Morales, renunciou, nesta segunda-feira, a uma eventual segunda reeleição seguida, em busca de um acordo com a oposição para aprovar um referendo sobre a mudança na Constituição do país.

Reuters |


Mas tal renúncia, cujo rumor circulou durante várias horas até ser confirmado pelo ministro do Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, não pareceu ser suficiente para a oposição conservadora, que bloqueia a sessão do Congresso que deveria votar o referendo.

"O presidente obteve mais de dois terços dos votos (em um referendo) no dia 10 de agosto, e oferece generosamente essa legitimação nas urnas em troca da viabilização da aprovação e da implementação da nova Constituição", disse Romero.

"De maneira desprendida, o presidente concordou em cortar seu mandato para adiantar e implementar a nova institucionalidade sob a nova Constituição", acrescentou o ministro, em uma entrevista coletiva.

A nova Constituição estabelece a possibilidade de reeleição imediata apenas uma vez e a decisão anunciada por Romero implica que, se Morales for reeleito imediatamente depois da mudança constitucional, não poderia se reeleger cinco anos mais tarde.

Romero, principal negociador do governo, acrescentou que a principal força opositora, a aliança conservadora Podemos, demorou em responder à decisão do presidente e mantém sua exigência inicial: eles querem que Morales e o Congresso completem seu mandato em janeiro de 2011.

O ministro garantiu que o Congresso pode votar a convocatória ao referendo mesmo antes da chegada de uma marcha encabeçada por Morales, a favor da mudança na Constituição, ao Congresso.

"Já não há mais nada para discutir, estamos esperando que o Podemos dê sua palavra final", disse Romero, ao indicar que todas as discrepâncias sobre o novo texto constitucional foram resolvidas nas negociações feitas no mês passado, tendo ficado pendente apenas a questão do adiantamento das eleições.

A nova Constituição daria mais poder aos indígenas, proibirá futuros latifúndios e consolidará o controle estatal sobre a economia.

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