Morales rejeita militarizar Santa Cruz e decretar estado de sítio

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, descartou hoje que pense em militarizar a região opositora de Santa Cruz (leste) ou em decretar um estado de sítio para impedir o referendo autonomista previsto para 4 de maio.

EFE |

"Escutei algumas versões na imprensa sobre a militarização de Santa Cruz e sobre o estado de sítio. É totalmente falso", afirmou no Palácio do Governo de La Paz.

Ele acrescentou que nem passou "pela cabeça" tomar essas medidas e defendeu que qualquer saída ao conflito com seus opositores passe por "negociações" que resolvam "as reivindicações históricas dos movimentos sociais".

"Enquanto não houver igualdade social, é impossível evitar problemas e todos deveríamos pensar nestas mudanças para que haja uma justiça social", afirmou o chefe de Estado boliviano.

País dividido

A Bolívia vive uma crise política na qual concorrem dois processos paralelos que, por enquanto, parecem irreconciliáveis: a refundação constitucional proposta por Morales e o projeto autonomista de várias regiões opositoras lideradas por Santa Cruz.

Os líderes da província opositora, liderados por seu prefeito, Rubén Costas, organizam o referendo autonomista, apesar de este ter sido desautorizado pelo governo, pelo Congresso e pela Corte Nacional Eleitoral.

O presidente afirmou ainda que no interior das Forças Armadas há uma unidade em torno de seu governo tanto entre os generais do alto comando militar, com os quais se reuniu hoje, quanto nos setores médios que estão "preocupados com a unidade do país".

Morales disse que desconhece outras opiniões publicadas pelo jornal "La Razón", de La Paz, atribuídas a fontes militares anônimas, que pedem que ele dê soluções políticas, e não militares.

De sua parte, o vice-presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Núñez, negou em entrevista à Agência Efe que depois de 4 de maio os dirigentes autonomista pensem em preparar imediatamente eleições para ter um novo governador, como apontou hoje a imprensa.

Núñez esclareceu que serão iniciados processos para escolher por sufrágio universal o vice-governador, vice-governadores provinciais e os 28 membros da Assembléia Autônoma, mas não governador, cargo ocupado no momento por Rubén Costas.

No entanto, Núñez não descartou que as novas instituições da região convoquem eleições para governador, no marco das competências outorgadas pelo Estatuto Autônomo o qual esperam seja referendado em 4 de maio.

Nas próximas horas, o cardeal Julio Terrazas, a máxima autoridade da Igreja Católica na Bolívia, se reunirá com os governadores opositores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija para continuar explorando as possibilidades de mediar no diálogo com o Executivo.

Na semana passada, delegados de Brasil, Colômbia, Argentina e da Organização dos Estados Americanos (OEA) visitaram a Bolívia para analisar sua possível intervenção na busca de saídas à crise.

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