Morales rejeita diálogo com governadores regionais que se opõem ao referendo

Soledad Álvarez La Paz, 24 jun (EFE).- O Governo da Bolívia rejeitou hoje o diálogo proposto pelos governadores regionais opositores, que avançam em sua rebelião contra o presidente Evo Morales, ao rejeitarem o referendo revogatório de agosto e proporem até a antecipação das eleições gerais.

EFE |

Analistas consultados pela Agência Efe apontam que a complexa crise boliviana parece transitar rumo a um caminho periogoso, depois que cinco governadores da oposição anunciaram que não se submeterão ao referendo sobre os mandatos do presidente e do vice-presidente.

Os governadores também querem a antecipação das eleições gerais previstas para finais de 2010, caso o chefe de Estado aceite abrir uma nova mesa de diálogo para tentar a "reconciliação nacional".

Precisamente, o Governo Morales descartou hoje o diálogo com os governadores regionais opositores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija que integram a chamada região da "meia lua" e Cochabamba.

O Executivo ameaçou levá-los a julgamento com a acusação de "golpe", por não acatarem a lei do referendo. E o próprio Morales os acusou hoje de "ter medo do povo" e de rejeitar a votação porque "querem continuar roubando".

"Quando revogarem seu mandato, alguns governadores regionais vão deixar de continuar roubando", disse Morales em discurso em La Paz, durante a realização do 182º aniversário da Polícia Nacional.

O governante disse dispor de "relatórios e investigações" que constatam a forma "impressionante como alguns governadores roubam o dinheiro do povo boliviano".

O conflito político da Bolívia é marcado há meses pelo enfrentamento entre o projeto constitucional de Morales e o processo autônomo impulsionado pelos dirigentes da região da meia lua, à margem das autoridades nacionais.

No domingo passado, Tarija completou o ciclo de referendos, também realizados em Santa Cruz, Beni e Pando, para aprovar estatutos de autonomia não reconhecidos pelo o Governo.

O Executivo boliviano considera as ações desses departamentos inconstitucionais e separatistas.

Em meio a essa série de consultas, o Senado boliviano, controlado pelo conservador e opositor Poder Democrático e Social (Podemos), "ressuscitou" em maio um projeto de lei apresentado por Morales em dezembro para a realização de um referendo revogatório e que estava paralisado há meses na câmara alta.

A decisão causou mal-estar entre os governadores regionais opositores, que questionaram o Podemos por ter apoiado a convocação sem lhes consultar e com o mesmo texto que feito pelo presidente.

Para os governadores, a lei pode prejudicá-los pela forma como estão redigidas as perguntas e pelas porcentagens exigidas para serem ratificados.

Analistas consultados hoje pela Efe concordaram que a rejeição dos governadores regionais ao referendo constitui uma "provocação" ao Governo, mas também demonstra que são eles que têm a iniciativa política na Bolívia.

Uma das dúvidas colocadas nesta situação é de que maneira esses governadores vão se opor ao pleito revogatório e como o Governo vai realizá-lo.

Segundo o analista Carlos Cordero, os governadores incorreriam em um "franco desacato" e em "desobediência civil", caso tentem impedir que os tribunais eleitorais departamentais apóiem o tribunal nacional no processo ou pressionem à população a não participar da consulta.

Outro analista, Jorge Lazarte, considera que as autoridades nacionais e regionais devem parar "este caminho de suicídio coletivo" e apelou à "pressão internacional" e à participação "ativa" de "terceiros" para mudar o rumo da Bolívia. EFE sam/rb/rr

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