Morales reforça Governo com ministros de perfil político em áreas econômicas

La Paz, 9 set (EFE).- O presidente boliviano, Evo Morales, reforçou seu Governo com ministros de perfil político para áreas econômicas em meio à crescente agitação provocada pelo confronto com os opositores autonomistas, que bloqueiam estradas e estão atacando escritórios estatais.

EFE |

Cinco ministros, três deles novos no Executivo, assumiram hoje seus cargos com a promessa de avançar nas reformas pretendidas por Morales, que há duas semanas está sob a pressão de manifestantes nas regiões autonomista de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.

Saúl Ávalos, um economista de Santa Cruz, assumiu hoje a direção do Ministério de Hidrocarbonetos, com a experiência de ter sido interventor da Companhia Logística de Hidrocarbonetos (CLHB) da Bolívia, nacionalizada em maio.

O novo ministro assume como substituto de Carlos Villegas, que passou para a pasta de Planejamento.

Ávalos, o terceiro ministro de Hidrocarbonetos nos mais de dois anos e meio do Governo Morales, tem uma trajetória política vinculada à Comissão de Autonomias da Assembléia Constituinte, um dos assuntos polêmicos da disputa entre Morales e oposição.

"O que mais temos é o coração para trabalhar pela Bolívia.

Entendemos perfeitamente que nós devemos cuidar para que os lucros da exploração dos hidrocarbonetos sejam para os bolivianos", disse hoje Ávalos.

Segundo ele, uma de suas prioridades na conflituosa conjuntura boliviana é garantir a exportação de gás para Brasil e Argentina, ameaçada por grupos opositores que pretendem ocupar instalações das petrolíferas e fechar gasodutos.

O novo ministro de Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, também tem um perfil político desde seu trabalho como presidente da Comissão de Terra e Território da Assembléia Constituinte pelo partido de Morales.

Romero foi diretor da ONG Centro de Estudos Jurídicos e Investigações Sociais (Cejis, na sigla em espanhol), especializada em temas relacionados ao campo e para a qual trabalharam vários ministros e vice-ministros do gabinete de Morales.

O desafio de Romero é avançar na reforma agrária do presidente boliviano que sofre resistência em Santa Cruz, onde, segundo o Governo, há fazendeiros com latifúndios improdutivos que devem passar ao controle do Estado para que, assim, possam ser divididos entre camponeses e indígenas.

O ministro do Desenvolvimento Rural apostou hoje no diálogo para uma saída à crise boliviana, ao dizer que "a violência não é o caminho" para resolver o enfrentamento que divide o país entre a oposição autonomista e o projeto esquerdista de Morales.

Hoje, no entanto, o confronto se agravou com novos enfretamentos em Santa Cruz, onde militares e policiais reprimiram as diversas tentativas invasão de escritórios estatais.

Ambos os ministros se juntam à equipe governamental, na qual se destacam como mais influentes o titular de Interior, Alfredo Rada, também ex-funcionário do Cejis; o da Presidência, Juan Ramón Quintana, e o de Defesa, Wálker San Miguel, cujas destituições foram pedidas por vários setores sindicais próximos a Morales e à oposição.

Por sua parte, Villegas, um dos principais assessores econômicos de Morales, disse hoje que cumpriu um ciclo de sua "vida política" ao passar do Ministério de Hidrocarbonetos para o de Planejamento com o desafio de criar um plano de redução da pobreza a médio prazo.

Villegas era um dos ministros com perfil conciliador e técnico no Governo Morales e concretizou a nacionalização de várias empresas de hidrocarbonetos, mas teve dificuldades para que as petrolíferas aceitassem sua exigência de fazer mais investimentos.

Susana Rivero, do departamento de Beni e ex-funcionária do Cejis, saiu da pasta de Desenvolvimento Rural e foi para a de Produção e Microempresa, Ministério que o empresário Javier Hurtado teve que abandonar por problemas de saúde.

Na área de Saúde e Esportes, o médico pediatra Jorge Ramiro Taipa, até então vice-ministro de Educação Superior, assumiu o cargo de ministro no lugar de Wálter Selúm. EFE ja/rb/rr

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