Morales ratifica oferta de diálogo com regiões apesar de referendo

La Paz, 9 mai (EFE).- O Governo de Evo Morales ratificou hoje sua oferta de diálogo aos governadores dos departamentos opositores, afirmando que o referendo revogatório previsto para a Bolívia não exclui esta via, e afirmando que aqueles que o rejeitaram anteriormente só buscavam o confronto.

EFE |

O presidente Evo Morales convocou para a próxima segunda-feira uma reunião em La Paz com os governadores regionais, para tentar solucionar a crise política vivida pelo país.

O Governo mantém de pé a sua oferta, assegurou hoje aos jornalistas o porta-voz de Morales, Ivan Canelas, para quem o "diálogo é o melhor mecanismo para a paz", e que destacou que a convocação do referendo não exclui nem descarta esta via.

Vários governadores opositores anunciaram que não irão à reunião convocada por Evo Morales, como os de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, que impulsionam um movimento autônomo rejeitado pelo Governo boliviano, que o considera ilegal e separatista.

No caso de Santa Cruz, que no domingo passado aprovou em referendo seu estatuto autonomista com um apoio de 85% dos votantes, seu governo descartou o diálogo até que "o Governo central reconheça esse resultado, e que sejam realizadas as consultas em Beni, Pando e Tarija", previstas para junho.

O governador regional de Beni, Ernesto Suárez, assegurou que nem ele nem seus companheiros de Pando e Tarija dialogarão com Morales caso o objetivo seja frear os processos autonomistas, segundo declarações publicadas hoje em vários meios de comunicação locais.

Canelas denunciou que estes governadores regionais demonstram claramente a sua "pouca vontade e pouco interesse" em resolver os problemas do país, ao empenhar-se em processos autonomistas "ilegais e inconstitucionais".

"Não querem diálogo, nem paz, nem acerto; querem continuar optando pelo enfrentamento, o confronto e a violência", reprovou Canelas, que advertiu que "será a opinião pública que julgará os governadores regionais".

Também destacou o esforço pessoal de Morales para abrir o diálogo e buscar mediadores como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Igreja, à qual ontem o presidente voltou a pedir que ajude a "enfrentar as injustiças do país".

Nesta mesma semana, membros do Governo Morales rejeitaram a mediação da Igreja na crise do país, uma vez que sua máxima autoridade na Bolívia, o cardeal Julio Terrazas, votou no domingo no referendo autonomista de Santa Cruz.

A nova oferta de diálogo de Morales aconteceu ontem, quinta-feira, horas antes de o Senado aprovar por unanimidade uma lei de convocação de um referendo revogatório sobre o mandato do presidente, do vice-presidente Álvaro García Linera e de nove governadores regionais.

Foi o próprio Morales que submeteu, em dezembro passado, ao Congresso Nacional esta lei -quando o país atravessava uma situação tensa devido ao processo constituinte- que ficou paralisada vários meses no Senado.

O presidente aceitou submeter-se a este referendo, que seu partido, Movimento ao Socialismo (MAS) apoiou no Senado, apesar de criticar a oposição de "oportunista" por aprová-lo agora.

O presidente do Senado boliviano, o opositor Óscar Ortiz, defendeu hoje a oportunidade da consulta, e argumentou que as condições do país não mudaram nestes quatro meses.

Segundo Ortiz, as únicas coisas que mudaram no país foram "os resultados das pesquisas", já que o presidente e o MAS "estão mais enfraquecidos, entre outras coisas, por causa da gravíssima deterioração política e social que vêm sofrendo".

"Confio que o povo boliviano vai dar um sinal muito claro ao presidente", indicou ele, que se diz convencido de que o referendo revogatório "certificará que o MAS não pode decidir sozinho o futuro do país".

"O partido de Morales tem que entender que, hoje, mais da metade dos bolivianos não compartilha seu projeto político, nem considera legal seu projeto de Constituição", disse Ortiz. EFE sam-ja/bm/gs

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