Morales quer acordo para referendo constitucional, mas oposição pede tempo

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs hoje um acordo para que o Congresso aprove antes de 1º de outubro a convocação de um referendo constitucional, embora seus seus opositores tenham pedido mais tempo para dialogar na mesa de negociação aberta em Cochabamba.

EFE |

A troca de propostas e contrapropostas entre Morales e os governadores autonomistas marcou as últimas horas do chamado "diálogo nacional", que hoje entrou em seu quarto dia sem que tenham sido obtidos consensos significativos para pôr fim à crise que o país enfrenta.

Embora o Governo e os opositores insistam em manter o diálogo para superar a situação, há divergências em relação ao "tempo" necessário para o fechamento dos acordos.

Morales quer um acordo imediato, para as próximas horas, se possível, a respeito do referendo constitucional. Ele também garante a compatibilidade do regime autônomo reivindicado pelos departamentos (estados) de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca com a nova Carta Magna, segundo o porta-voz presidencial, Ivan Canelas.

No entanto, os governadores autonomistas pedem um prazo maior (de pelo menos um mês) para dialogar, como estabelecido no pré-acordo que permitiu a abertura do diálogo em Cochabamba.

Os governadores responderam à oferta de Morales com outra proposta, na qual, basicamente, reivindicam a ampliação do diálogo para que as mesas técnicas trabalhem de forma "ininterrupta" e "permanente" para, a partir de 25 de setembro, apresentarem soluções para temas específicos em debate.

O representante dos governadores autonomistas, o governador de Tarija, Mario Cossío, não se opôs à convocação da consulta constitucional, mas rejeitou uma data tão imediata como a proposta por Morales, ao considerar que isto seria como aceitar "às cegas" o texto da Carta Magna imposta pelo Governo.

Por isso, pediu que as comissões técnicas continuem com seus trabalhos, ao afirmar que, antes de um consenso em relação a esse ponto, há outros temas essenciais a serem discutidos.

Cossío admitiu que há "certa pressão" por parte do Governo para o alcance dos acordos, mas, segundo ele, os diálogos começaram há pouco e é preciso ter paciência.

"Acho que tudo vai se sair bem", disse o governador, que reconheceu a importância das negociações.

O Executivo, por sua vez, vê pouca predisposição em seus opositores para resolver os temas do conflito e acredita que a atitude dos governadores é uma "tática dilatória" para dar continuidade ao "golpe civil" que causou a onda de violência das últimas semanas.

Pelo menos esta é a opinião do vice-ministro de Coordenação com Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, para quem a atitude dos opositores não reconhece o trabalho da Assembléia Constituinte.

Em similares termos se expressou o vice-ministro de Descentralização, Fabián Yaksic, que acha que nas próximas horas as partes deverão chegar a um acordo. "Não podemos ficar só conversando", declarou.

A compatibilidade das autonomias reivindicadas pelos governadores opositores com a nova Constituição da Bolívia é um dos temas centrais da mesa de diálogo de Cochabamba.

O outro assunto de grande importância é a distribuição territorial da receita referente ao Imposto Direto sobre os Hidrocarbonetos (IDH).

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